Gestão Zema em Minas Gerais registra avanços fiscais, mas caixa segue negativo
Após sete anos, Minas consegue superávits primários e alívio na dívida federal, mas enfrenta alta nas renúncias fiscais
Minas Gerais apresentou uma melhora nos indicadores fiscais ao longo dos sete anos do governo Romeu Zema (Novo). Apesar do superávit orçamentário em 2024 e previsão positiva para 2026, o estado fechou 2025 com R$ 11,3 bilhões em caixa negativo, devido à alta nas renúncias fiscais e falta de reformas estruturais.
Minas Gerais tem mostrado sinais de melhora em suas contas públicas durante os sete anos da gestão do governador Romeu Zema (Novo), mas ainda convive com um caixa negativo preocupante. Segundo apuração do UOL Notícias, embora o estado tenha registrado superávits primários e conseguido reverter um saldo orçamentário negativo para positivo, o quadro financeiro ainda não alcançou estabilidade estrutural.
No ano de 2024, Minas Gerais teve um superávit orçamentário de R$ 1,1 bilhão, um resultado que indica receita superior às despesas naquele exercício. Para 2026, a previsão é ainda mais otimista, com um superávit estimado em R$ 7,4 bilhões. Em contraste com esse avanço, em 2019, primeiro ano da administração Zema, o estado presentou um déficit orçamentário de R$ 12 bilhões, o que evidencia a melhoria gradual nos últimos anos.
No entanto, mesmo com os dados positivos, o estado encerrou 2025 com um caixa líquido negativo de R$ 11,3 bilhões, o que significa que as disponibilidades financeiras facilmente acessíveis são insuficientes para cobrir os compromissos imediatos. Segundo especialistas citados no relato, esse quadro não deve ser interpretado como uma mudança estrutural na gestão fiscal do estado, principalmente porque não houveram reformas relevantes nas despesas públicas.
Parte do fôlego financeiro recente de Minas Gerais foi concedido por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com o levantamento, o STF garantiu ao estado a suspensão por 21 meses do pagamento de R$ 34,3 bilhões referentes à dívida estadual com a União, medida que vigorou de dezembro de 2022 até o início de 2026. Esse período de carência permitiu a suspensão do desembolso de parcelas significativas, trazendo alívio temporário no fluxo de caixa do governo.
Mesmo assim, a suspensão não extinguiu o débito: o montante da dívida continuou a ser acumulado, aumentando a obrigação futura. Outro ponto relevante destacado na avaliação das contas são as renúncias fiscais, que dispararam desde o início da gestão Zema. Renúncias fiscais significam receitas que o governo deixou de arrecadar, muitas vezes para incentivar setores ou investimentos, mas que impactam diretamente na arrecadação estadual.
Por fim, o cenário fiscal de Minas reflete as dificuldades de equilibrar receitas, despesas e dívidas em um estado com grande protagonismo econômico, mas que ainda vive sob pressão nas finanças públicas. A gestão Zema mostra avanços pontuais, mas também desafios que apontam para a necessidade de reformas mais profundas para a sustentabilidade fiscal a longo prazo.
O que sabemos?
- Governador Romeu Zema está no poder desde 2019.
- Em 2019, Minas teve déficit de R$ 12 bilhões.
- Em 2024, fechou com superávit orçamentário de R$ 1,1 bilhão.
- Caixa líquido negativo de R$ 11,3 bilhões em 2025, apesar da melhora fiscal.
O que ainda não foi confirmado?
- Relatório do UOL Notícias é a única fonte das informações sobre a suspensão da dívida com a União.
Fontes
- UOL Notícias imprensa


