Governo Lula retoma negociações com EUA em meio a receio de tarifas permanentes
Comercial entre Brasil e EUA avança após telefonema entre presidentes, mas desafios permanecem
O governo Lula voltou a negociar com os Estados Unidos na tentativa de evitar que a sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros se torne permanente. O impasse, que já dura anos, foi parcialmente destravado pelo contato direto entre Lula e Donald Trump, influenciado por grandes empresários brasileiros.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiniciou nesta segunda-feira (31) as negociações comerciais com os Estados Unidos, em um momento de cautela por parte da equipe do petista. Segundo um representante da gestão Lula, há ceticismo quanto à possibilidade de um acordo definitivo com Washington, principalmente porque cresce a preocupação de que a sobretaxa de 25% aplicada sobre produtos brasileiros possa se tornar uma medida definitiva caso o impasse se prolongue.
Essa sobretaxa, conhecida popularmente como tarifaço, foi imposta ainda em 2018, durante o primeiro mandato de Donald Trump, e atingiu principalmente o setor do aço e do alumínio. A expectativa era que Joe Biden, sucessor de Trump na presidência dos EUA, revogasse essas barreiras, o que não ocorreu até o momento.
De acordo com essa fonte do governo, que pediu para não ser identificada, há receio que a nova taxa de 25% - aplicada com base em práticas comerciais do Brasil consideradas injustas pelos americanos - possa seguir o mesmo caminho das tarifas anteriores sobre aço e alumínio, caso não haja avanços significativos nas conversas. O temor é que esse cenário impacte ainda mais a balança comercial e amplie as tensões entre os dois países.
O impasse entre Brasil e Estados Unidos ganhou novo impulso quando, na última semana, o presidente brasileiro esteve em contato direto com Donald Trump. A ligação, ocorrida na sexta-feira (21), foi decisiva para descongelar a relação entre os dois governos. O representante do governo explicou que, sem esse telefonema, apenas uma proposta muito vantajosa para os EUA poderia ter destravado as negociações, dada a situação desgastada que se aferia até então.
Segundo essa mesma fonte, a conversa entre os presidentes foi facilitada pela influência de grandes empresários brasileiros com capacidade de interlocução direta com o gabinete de Trump. Um nome que já veio à tona anteriormente nesse contexto é o de Joesley Batista, dono da JBS, figura que, conforme mostrou a Folha em 2025, teve papel fundamental na aproximação entre Lula e Trump.
Assim, o governo brasileiro tenta avançar nas negociações comerciais em meio a um cenário delicado, buscando evitar que a sobretaxa de 25% seja permanente, o que poderia prejudicar setores importantes da economia nacional e dificultar o relacionamento bilateral.
O que sabemos?
- Governo Lula retomou negociações comerciais com os EUA em 31 de julho.
- Há temor no governo de que a sobretaxa de 25% se torne permanente.
- A sobretaxa incide sobre produtos brasileiros considerados injustos pelos EUA.
- O telefonema entre Lula e Trump no dia 21 de julho ajudou a destravar as conversas.
O que ainda não foi confirmado?
- Papel de Joesley Batista na ligação entre Lula e Trump, informação divulgada apenas por UOL Notícias.
Fontes
- UOL Notícias imprensa


