Judicialização de dívidas no Brasil bate recorde histórico em 2025
Mais de 1,2 milhão de novas ações de execução marcam alta de 60% desde 2020 em meio a endividamento recorde das famílias
Em 2025, o Brasil registrou o maior número de processos judiciais de cobrança de dívidas privadas desde o início da série histórica, com 1,2 milhão de novas ações. Especialistas apontam crédito fácil e falta de renegociação como causas principais do endividamento que atingiu 80,4% dos lares brasileiros.
O número de cobranças judiciais de dívidas privadas no Brasil atingiu um patamar recorde em 2025, ultrapassando 1,2 milhão de novos processos, conforme levantamento do g1 baseado no Painel de Estatísticas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Foram exatamente 1.239.537 ações de execução de títulos extrajudiciais não fiscais no ano passado, um crescimento de aproximadamente 60% em comparação com as 772.645 registradas em 2020.
Esse aumento expressivo da judicialização ocorre num contexto de endividamento elevado das famílias brasileiras. Segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 80,4% dos lares estavam endividados em março de 2025, o maior índice já registrado desde o início da pesquisa.
Especialistas ouvidos pelo g1 destacam que a judicialização costuma ser o último recurso adotado pelos credores para receber valores de dívidas não quitadas. Entre os fatores que contribuem para o crescimento do superendividamento estão o excesso e facilidade de concessão de crédito, o uso cada vez maior de empréstimos e apostas financeiras (bets), além da falta de uma renegociação abrangente e eficiente dessas dívidas.
Para além do consumidor, esse cenário também pressiona empresas e produtores rurais, que enfrentam altos juros, elevados spreads bancários, além de dificuldades cada vez maiores para acessar crédito. Como resultado, há um aumento dos processos de insolvência, que costumam ser longos e apresentam baixa recuperação de valores para os credores.
O impacto dessas cobranças judiciais não atinge exclusivamente o consumidor final, já que os processos investigados pelo g1 envolvem tanto pessoas físicas quanto jurídicas. O avanço expressivo desses casos reflete um ambiente econômico desafiador, em que o desequilíbrio financeiro afeta múltiplos setores da economia.
O que sabemos?
- Judicialização de dívidas privadas cresceu cerca de 60% entre 2020 e 2025, chegando a 1.239.537 novos processos em 2025.
- Em março de 2025, 80,4% das famílias brasileiras estavam endividadas, recorde desde o início da série histórica da pesquisa da CNC.
- O aumento da judicialização ocorre diante do endividamento recorde das famílias e também afeta empresas e produtores rurais.
- Especialistas associam o problema à concessão facilitada de crédito, uso de empréstimos e apostas financeiras, falta de renegociação e altos juros.
O que ainda não foi confirmado?
- Informação sobre o aumento da judicialização foi divulgada apenas pelo g1, aguardando outras fontes.
Fontes
- G1 imprensa

