França aplica novas taxas para frear moda rápida de Shein e Temu
Medida visa combater impactos ambientais e preços excessivamente baixos em sites de e-commerce
A partir de 1º de agosto, a França implementou taxas sobre produtos do segmento de moda rápida vendidos por plataformas como Shein e Temu. A iniciativa, baseada em uma lei aprovada em junho, pretende limitar a superprodução e incentivar produtos mais duráveis, com impostos que variam conforme o tipo de peça.
Na tentativa de conter o crescimento acelerado da moda rápida e suas consequências ambientais, a França começou a impor uma taxa especial sobre roupas vendidas em plataformas de comércio eletrônico como Shein e Temu. A partir desta terça-feira, dia 1º de agosto, foram aplicadas cobranças que variam entre € 0,25 (aproximadamente 30 centavos de dólar) para itens como cuecas e meias, até € 12 (cerca de US$ 14) para casacos, sendo que o valor limitado não pode ultrapassar 50% do preço do produto antes da cobrança de impostos.
A iniciativa faz parte de uma lei aprovada em junho que pretende frear a superprodução desenfreada de roupas, um fenômeno com impactos ambientais significativos como descarte frequente de peças e consumo excessivo de recursos naturais. Segundo o ministro do Comércio francês, Serge Papin, plataformas como Shein e Temu exploram o chamado “poder de compra do consumidor” ao vender a preços baixos, porém oferecem produtos que frequentemente falham em padrões mínimos de qualidade e durabilidade. “Essas plataformas são falsas defensoras do poder de compra do consumidor. Elas vendem a preços baixos, mas seus produtos frequentemente não atendem aos padrões e carecem de durabilidade", declarou Papin em entrevista ao jornal Ouest France.
Além das dificuldades já enfrentadas por Shein com o fim do acesso isento de impostos para encomendas de comércio eletrônico de baixo valor na União Europeia e nos Estados Unidos, a nova taxa agrava ainda mais a situação financeira da empresa. Essa conjuntura foi um dos motivos para a queda significativa na avaliação da companhia pouco antes de sua estreia na bolsa de Hong Kong, ocorrida também nesta terça-feira. Procuradas para comentar as novas taxas, tanto Shein quanto Temu não se manifestaram oficialmente. Entretanto, o porta-voz da Shein na França, Quentin Ruffat, já havia alertado que as taxas sobre fast fashion prejudicariam os consumidores ao elevar os preços.
O Ministério do Comércio da China considerou a lei francesa discriminatória e uma barreira comercial, afirmando que o regulamento poderia violar os princípios da Organização Mundial do Comércio (OMC). A fórmula para calcular os valores da taxa leva em conta diversos fatores relacionados à peça, o que torna a cobrança escalonada segundo o tipo de produto. Essa informação foi divulgada pela CNN Brasil e ainda aguarda confirmação por outras fontes no momento.
Essa nova política da França é um movimento pioneiro no combate a um dos setores mais controversos da indústria da moda, que vem sendo apontado como causador de impactos ambientais severos e de condições questionáveis na cadeia produtiva. A imposição dessas taxas pode influenciar práticas comerciais e de consumo em outras regiões, dado o peso do mercado europeu e sua influência global.
O que sabemos?
- A França iniciou em 1º de agosto a aplicação de taxas sobre roupas vendidas por sites como Shein e Temu.
- As taxas variam de € 0,25 para peças pequenas até € 12 para casacos, limitadas a 50% do preço antes dos impostos.
- O ministro Serge Papin criticou a baixa durabilidade dos produtos dessas plataformas.
- Shein e Temu não comentaram oficialmente, enquanto a China criticou a medida como barreira comercial.
Fontes
- CNN Brasil imprensa




