Ciência

Manuscrito de 813 revela conhecimento medieval sobre falhas do calendário juliano

Em apuração ?

Documento encontrado em Florença antecipa em séculos a compreensão de erros no sistema de contagem do tempo

Manuscrito medieval com anotações astronômicas encontrado em Florença
Imagem: Aventuras na História

Um manuscrito medieval datado de 813 mostra que estudiosos carolíngios conheciam a discrepância de três dias entre o calendário oficial e os fenômenos solares reais, antecipando o reconhecimento tradicionalmente atribuído ao século 13.

Um manuscrito medieval datado do ano 813, conservado na Biblioteca Medicea Laurenziana, em Florença, revelou que estudiosos do período carolíngio possuíam um conhecimento técnico sobre as falhas do calendário juliano muito antes do que se pensava. Segundo o pesquisador emérito Francesco Vizza, do Conselho Nacional de Pesquisa da Itália (CNR), o documento mostra uma discrepância de três dias entre as datas oficiais do calendário e os fenômenos solares observados na época, o que indica uma compreensão avançada sobre o erro acumulado no sistema de contagem do tempo instituído por Júlio César em 46 a.C.

O calendário juliano estabelecia o ano em uma média de 365,25 dias, mas o ano solar verdadeiro tem cerca de 11 minutos a menos, o que resulta em um erro acumulado de aproximadamente um dia a cada 128 anos. Esse descompasso foi responsável por fazer eventos como equinócios e solstícios acontecerem progressivamente mais cedo que o esperado. Tradicionalmente, a percepção desse problema vinha sendo atribuída à Idade Média tardia, por volta do século 13, mas as evidências apresentadas pelo manuscrito de 813 mudam esse entendimento historiográfico.

Francesco Vizza detalha que o manuscrito foi encontrado em um sacramentário da Opera del Duomo, uma instituição vinculada à conservação do patrimônio histórico em Florença, com a colaboração do arquivista Giuseppe Giari, da Opera di Santa Maria del Fiore. “Embora já tivesse sido notado em 1757 pelo astrônomo jesuíta Leonardo Ximenes, sua importância para a história da astronomia e da cronometragem nunca havia sido adequadamente apreciada”, afirma Vizza. O destaque científico do documento aparece especialmente nas observações registradas para o mês de março.

O calendário juliano foi um avanço importante para o seu tempo, mas seu pequeno erro no cálculo da duração do ano solar exigiu revisões que culminaram posteriormente no calendário gregoriano, adotado em 1582.

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O que sabemos?

  • Manuscrito medieval de 813 mostra discrepância de três dias entre calendário e fenômenos solares.
  • Estudo conduzido por Francesco Vizza, pesquisador do CNR, com apoio do arquivista Giuseppe Giari.
  • Calendário juliano acumula erro de um dia a cada 128 anos devido à diferença entre seu cálculo e o ano solar real.
  • Descoberta foi divulgada apenas pelo veículo Aventuras na História e ainda não foi confirmada por outras fontes.

Fontes

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