Ciência

Estudo revela significados de pinturas rupestres com seres ancestrais no Território do Norte australiano

Em apuração ?

Pesquisa liderada por arqueólogo da Griffith University destaca grandes representações e conexões culturais em Awunbarna

Pintura rupestre da Serpente Arco-Íris em Awunbarna, Austrália
Imagem: Olhar Digital

Desde 2018, pesquisadores estudam 165 sítios de arte rupestre em Awunbarna, encontrando imagens de animais e seres ancestrais, como a Serpente Arco-Íris, relacionadas às tradições aborígenes e mudanças ambientais causadas pela chegada europeia.

Artistas aborígenes do Território do Norte da Austrália apresentam através de pinturas rupestres figuras impactantes de seres ancestrais gigantes, cuja compreensão ganhou novo fôlego com um recente estudo conduzido pelo arqueólogo Paul S.C. Taçon, da Griffith University. Trabalhando em parceria com Sally K. May, Andrea Jalandoni e Charlie Mungulda — este último também guardião tradicional da região de Awunbarna — a equipe vem documentando desde 2018 toda a riqueza dessa arte milenar, já identificando 165 sítios distintos.

O vasto conjunto de imagens inclui representações de animais locais como pítons, crocodilos e cangurus, mas chama atenção a presença de figuras míticas que têm papel central nos saberes e tradições dos povos aborígenes. Um destaque especial recai sobre a Serpente Arco-Íris, uma entidade presente em diversas culturas indígenas australianas, ligada à criação da paisagem e à transmissão intergeracional de conhecimentos. Foram catalogadas 29 representações dessa figura em 21 locais diferentes de Awunbarna.

Entre esses registros, um se sobressai pelo tamanho e proeminência: uma pintura no abrigo identificado como AW5, medindo mais de 6 metros de comprimento. Além da Serpente Arco-Íris, a equipe encontrou pítons com cerca de 2 metros, evidenciando uma preferência por imagens em escalas grandes, característica que permitiu investigar variações da arte rupestre ao longo do tempo.

Segundo o estudo, a maior frequência e destaque dessas imagens de grandes proporções coincidem com um período marcado pela chegada dos europeus e pela caça comercial de búfalos, que modificaram significativamente o ambiente natural e o modo de vida local.

A importância do trabalho reside não só na preservação desses sítios arqueológicos únicos, mas também no reconhecimento da complexidade das tradições aborígenes australianas e seu papel fundamental na compreensão da história e identidade cultural da região.

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O que sabemos?

  • Artistas aborígenes pintaram seres ancestrais gigantes em Awunbarna, Território do Norte da Austrália.
  • O estudo foi liderado por Paul S.C. Taçon, arqueólogo da Griffith University, em colaboração com Sally K. May, Andrea Jalandoni e Charlie Mungulda, guardião tradicional da região.
  • Desde 2018, foram documentados 165 sítios de arte rupestre na região de Awunbarna.
  • As imagens incluem animais locais como pítons, crocodilos e cangurus, além de figuras ancestrais importantes para as tradições aborígenes.
  • A Serpente Arco-Íris é um ser ancestral presente em várias culturas indígenas australianas, relacionada à criação da paisagem e transmissão de conhecimento.
  • Foram identificadas 29 representações da Serpente Arco-Íris em 21 locais de Awunbarna.
  • Uma pintura da Serpente Arco-Íris no abrigo AW5 mede mais de 6 metros de comprimento.
  • Representações em grande escala, como pítons de 2 metros, ajudam a estudar mudanças na arte rupestre ao longo do tempo.
  • O aumento dessas imagens de grande porte coincide com o período de chegada europeia e caça comercial de búfalos que alteraram o ambiente e o modo de vida local.

Fontes

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