Ciência

O segredo do beija-flor para sobreviver às longas noites de fome

Em apuração ?

Como um metabolismo turbo permite uma mini-hibernação impressionante nas aves mais aceleradas do planeta

Beija-flor em repouso, ilustrando o torpor
Imagem: Olhar Digital

Pesquisas recentes revelam que os beija-flores entram em um estado de torpor para reduzir drasticamente o metabolismo durante a noite, evitando o risco de morte por fome. Estudo destaca queda recorde na temperatura corporal de uma espécie andina como indicador desse fenômeno extraordinário.

O beija-flor, conhecido por seu voo ágil e metabolismo incansável, enfrenta um grande desafio todas as noites: sobreviver à fome que chega enquanto dorme. Segundo pesquisadores das universidades do Novo México, nos EUA, e de Pretória, na África do Sul, a ave utiliza um mecanismo chamado torpor, uma espécie de mini-hibernação que reduz seu metabolismo em até 95%, para evitar o gasto excessivo de energia durante as horas de jejum noturno.

Essa pausa metabólica é vital, já que o beija-flor tem o metabolismo mais acelerado entre os vertebrados terrestres. Em voo, seu coração pode bater a mais de mil vezes por minuto – um ritmo cerca de dez vezes superior ao de um atleta humano no auge do esforço. Em repouso, os batimentos ainda variam entre 250 e 500 por minuto. Para manter esse desgaste energético, é necessária uma alimentação constante ao longo do dia, com dezenas de visitas a flores cujo néctar açúcar serve de combustível quase instantâneo. Proteínas são obtidas com a ingestão de pequenos insetos e aranhas, suprindo necessidades que o néctar não cobre.

Mesmo com essa dieta intensa, o corpo do beija-flor não consegue acumular energia suficiente para o período noturno. Manter a temperatura corporal normal, próxima de 40°C, consumiria suas reservas antes do amanhecer, resultado potencialmente fatal. O torpor entra em cena reduzindo drasticamente os batimentos cardíacos, que podem cair a cerca de 40 por minuto, ao mesmo tempo que diminui a respiração e a temperatura corporal. Isso ajuda a conservar a energia para o dia seguinte.

Em um estudo publicado em 2020 no periódico científico Biology Letters, foi registrado em beija-flores dos Andes peruanos um dos mais impressionantes exemplos desse fenômeno. Um exemplar teve sua temperatura corporal reduzida a incríveis 3,26°C — a mais baixa já medida em qualquer ave ou mamífero não hibernante. A intensidade dessa redução varia conforme a espécie e as condições ambientais: em regiões mais quentes, como boa parte do Brasil, a queda na temperatura é menos severa, mas o torpor permanece fundamental para a sobrevivência noturna.

Até o momento, as informações sobre essa capacidade extraordinária dos beija-flores vêm principalmente da reportagem do Olhar Digital, não tendo sido confirmadas por outras fontes científicas oficialmente. Ainda assim, o estudo reforça a complexidade adaptativa dos beija-flores, que precisam equilibrar uma alimentação exaustiva com a necessidade de conservar energia e sobreviver às exigências de um metabolismo extremo.

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O que sabemos?

  • Beija-flores têm o metabolismo mais acelerado entre vertebrados terrestres.
  • Eles precisam se alimentar dezenas de vezes por dia para manter a energia.
  • Durante a noite, entram em torpor, reduzindo até 95% do metabolismo para sobreviver.
  • Estudo registrado em 2020 mostra temperatura corporal de 3,26°C em beija-flor andino, a mais baixa já medida em ave ou mamífero não hibernante.

Fontes

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