Guaxinim estudante de comportamento incomum em Cozumel chama atenção de pesquisadores
Animal compartilhando atividade com família levanta hipóteses sobre aprendizagem social e cultura material
Um jovem guaxinim-pigmeu na ilha de Cozumel foi registrado realizando uma atividade com lixo que pode indicar a transmissão de comportamento entre parentes, um possível avanço no entendimento da espécie.
Um episódio inusitado envolvendo um jovem guaxinim-pigmeu na ilha de Cozumel, no México, chamou a atenção de pesquisadores devido a um comportamento que poderia representar a primeira evidência de transmissão social de uma prática de manipulação de objetos. Segundo informações divulgadas na revista científica Wild, uma dupla de pesquisadores da Universidade de Miami observou durante um estudo sobre o impacto do turismo na espécie, considerada criticamente ameaçada de extinção, uma jovem guaxinim pegar uma folha de papel, molhá-la na água, amassá-la, rolá-la na areia e arremessá-la ao chão, como se estivesse brincando ou criando um brinquedo.
A cena foi registrada por uma das pesquisadoras, que relatou que, inicialmente, não interpretou aquela ação como algo extraordinário, apenas uma brincadeira fofa. No entanto, ao perceber que outros animais também passaram a reproduzir o comportamento, inclusive parentes do primeiro guaxinim, a equipe passou a suspeitar de uma transmissão social, ou seja, uma forma de aprendizado por observação. Além do animal que iniciou a ação, sua mãe, irmã e irmãos vieram a produzir e manipular objetos semelhantes, inclusive brincando brincadeiras que lembram uma espécie de jogo de futebol com as bolas de papel e areia.
Importante destacar que o que talvez mais impressione seja a possibilidade de que um comportamento como esse seja ensinado ou aprendido entre membros de uma mesma família, uma prática que até então não tinha sido documentada na espécie. Ainda assim, a equipe de pesquisa adverte que a morte do guaxinim considerado pioneiro por ter realizado a ação, provavelmente por causas como desnutrição e ingestão de substâncias tóxicas presentes no lixo, impede uma confirmação definitiva sobre a origem do comportamento. Apesar disso, o irmão do animal foi visto produzindo uma bola de papel após a morte da primeira, reforçando a hipótese de um aprendizado social, o que poderia ampliar o entendimento sobre as capacidades cognitivas desses animais.
Segundo a pesquisa, guaxinins são especialmente hábeis com as mãos, o que facilitaria a manipulação de objetos e a transmissão de novas práticas entre eles. Ainda não há confirmação oficial de que os guaxinins estejam formando uma cultura material, conceito que descreve a transmissão de comportamentos relacionados ao uso de objetos que podem ser aprendidos e repassados. A equipe científica aponta que esse comportamento ainda está em fase de observação e requer estudos mais aprofundados para entender se há padrão ou se trata de uma situação isolada.
Este episódio levanta questões importantes sobre a inteligência e as capacidades de aprendizagem dos guaxinins, sobretudo em ambientes onde há interação com o lixo humano, que pode influenciar comportamentos adaptativos. Ainda não se sabe ao certo se esse tipo de brincadeira com objetos recicláveis é comum na espécie, e a pesquisa segue em andamento para confirmar se esse comportamento pode se tornar uma característica cultural do grupo. A descoberta, ainda não confirmada oficialmente por outras fontes independentes, desperta curiosidade sobre o potencial dos animais em aprender e transmitir ações de manipulação de objetos, uma área pouco explorada na ciência sobre espécies selvagens.
O que sabemos?
- Um jovem guaxinim na ilha de Cozumel realizou atividades com papel e areia, formando uma bola.
- Outros membros da família também passaram a reproduzir o comportamento após a primeira observação.
- A atividade foi registrada por pesquisadores da Universidade de Miami.
- A hipótese de que o comportamento tenha sido aprendido socialmente está sendo investigada.
- A primeira guaxinim que realizou a atividade morreu pouco depois, possivelmente por causas relacionadas ao lixo human
Fontes
- Revista Galileu fonte especializada




