Como a inteligência artificial evoluiu do aprendizado de máquina ao treinamento humano
Professor do IME-USP explica as fases que moldam as IAs atuais e os impactos do reforço humano
Em uma coluna para a Rádio USP, o professor Marcelo Finger detalha o desenvolvimento das inteligências artificiais, desde sistemas baseados em regras até os modelos generativos com feedback humano, ressaltando as consequências de vieses e personalidades incorporadas.
O avanço da inteligência artificial (IA) nos últimos anos tem sido notável, especialmente com a chegada das chamadas IAs generativas, conhecidas também como LLMs (Large Language Models). Em uma coluna recente na Rádio USP, o professor Marcelo Finger, do Instituto de Matemática e Estatística da USP (IME-USP), explicou com detalhes essa evolução e o que diferencia essas tecnologias hoje do que existia anteriormente.
Segundo o professor, a trajetória da IA começou com sistemas baseados em regras e estatística, que trabalhavam com comandos pré-estabelecidos e análises de padrões simples. A revolução veio com o aprendizado de máquina, que permite aos sistemas aprenderem a partir dos dados, ajustando seus parâmetros para melhorar o desempenho sem intervenção direta a todo momento. No entanto, o que torna as atuais IAs generativas diferentes é uma segunda etapa fundamental: o reforço com feedback humano.
Nesta fase, as IAs são treinadas para responder e agir não apenas com base em probabilidades matemáticas, mas também recebendo avaliações de humanos sobre suas respostas. Esse processo não apenas aprimora a qualidade do conteúdo produzido, mas também cria particularidades que podem ser vistas como personalidades ou até especializações técnicas, como programação e design. “Embora o treinamento inicial na previsão de palavras possa dar a impressão de que as LLMs são apenas ‘papagaios estocásticos’, é na segunda fase de aprendizado — o reforço com feedback humano — que elas desenvolvem particularidades, comportamentos e até nichos de especialização técnica”, explica Marcelo Finger.
Entretanto, essa inserção humana traz também efeitos colaterais. O professor ressalta que os vieses, as visões de mundo, os valores políticos e os interesses econômicos das empresas e países que financiam essas tecnologias acabam sendo incorporados aos modelos. Além disso, há uma tendência das IAs adotarem uma postura “bajuladora”, buscando engajamento e aceitação por parte dos usuários, o que pode influenciar na forma como as informações são apresentadas e recepcionadas.
A coluna "De olho na IA", apresentada por Marcelo Finger, vai ao ar toda sexta-feira, às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e tem produção da emissora. Segundo informações do Jornal da USP, o conteúdo é alvo de reprodução livre, mediante a citação correta das fontes e autores, valorizando a transparência e o acesso ao conhecimento.
Com essa explicação detalhada, o público leigo pode compreender que a inteligência artificial que nos acompanha hoje não é apenas resultado de cálculos matemáticos, mas uma construção complexa que envolve influências humanas diretas, tornando-se cada vez mais sofisticada, porém também suscetível a ganhos e distorções alinhadas com interesses diversos.
O que sabemos?
- A evolução da IA foi explicada pelo professor Marcelo Finger do IME-USP.
- A inteligência artificial passou de sistemas baseados em regras para aprendizado de máquina e depois para modelos generativos com feedback humano.
- O reforço com feedback humano é essencial para a IA desenvolver particularidades e especializações técnicas.
- Esse processo também introduz vieses e personalidades conforme os valores dos financiadores das IAs.
O que ainda não foi confirmado?
- Informação divulgada apenas pelo Jornal da USP; aguardando confirmação de outras fontes.
Fontes
- Jornal da USP fonte oficial
