Por que as assistentes virtuais têm vozes femininas? Uma escolha sem justificativa oficial
Empresas de tecnologia preferem vozes femininas para Alexa, Siri e Cortana, mas sem explicações claras
Amazon, Apple e Microsoft adotam vozes femininas para suas assistentes virtuais, baseando-se em pesquisas de mercado, enquanto evitam atribuir gênero oficial a esses perfis.
Desde o surgimento das assistentes virtuais, como Alexa da Amazon e Siri da Apple, percebe-se uma predominância da escolha por vozes femininas. Segundo uma reportagem do The Wall Street Journal, essa preferência parece ser um consenso entre as grandes empresas do setor, embora nenhuma delas tenha emitido uma justificativa oficial sobre o motivo dessa padronização.
De acordo com a matéria, a Amazon e a Microsoft identificaram a mesma preferência pela voz feminina em suas pesquisas de mercado. A Amazon, que testa diferentes vozes com clientes e grupos internos, constatou que vozes femininas são mais bem aceitas. Já a Apple, que nunca explicou diretamente essa escolha, lembrou que em alguns idiomas, como árabe, inglês britânico, holandês e francês, a Siri é programada para ter voz masculina por padrão.
Ao comentar a mudança da voz da Siri na atualização do iOS 11, a Apple afirmou que a escolha da nova atriz de voz buscou tornar a assistente “mais natural, expressiva e com mais personalidade”. A empresa revelou que avaliou centenas de candidatas antes de definir a voz final da Siri. Nesse processo, a ênfase ficou na autenticidade e na conexão com o usuário, e não necessariamente no gênero.
Por sua vez, a Amazon reforça que sua Alexa não possui gênero, apesar de contar com voz feminina. Segundo a empresa, o foco é obter uma voz que seja inteligível e natural, que facilite a compreensão dos comandos pelo usuário. A Amazon salientou ainda que não permite que seus parceiros comerciais refiram a Alexa como “ela”, já que campanhas anteriores que usaram o pronome reforçaram estereótipos de gênero e geraram críticas.
Um relatório da Unesco de 2019 analisou o fenômeno em um panorama global, mostrando que assistentes virtuais com nomes e vozes femininas são apresentados com frequentes características dóceis e prestativas. Essa escolha contribui para perpetuar certos estereótipos relacionados a papéis tradicionais de gênero, o que vem sendo discutido em debates sobre ética e tecnologia.
Apesar da ausência de uma justificativa explícita das empresas, a preferência por vozes femininas parece estar ligada à percepção de que essas vozes transmitem melhor simpatia, cuidado e receptividade. Entretanto, a discussão sobre o impacto dessa escolha nas representações e expectativas sociais segue aberta, convidando consumidores, desenvolvedores e especialistas a refletirem sobre a relação entre tecnologia e cultura.
O que sabemos?
- Empresas como Amazon, Apple e Microsoft usam vozes femininas para suas assistentes virtuais, mas não explicaram oficialmente o motivo.
- Amazon e Microsoft viram preferência por vozes femininas em pesquisas de mercado.
- Apple afirmou que Siri é masculina por padrão em alguns idiomas.
- Amazon afirma que Alexa não tem gênero e prioriza voz inteligível e natural.
O que ainda não foi confirmado?
- Informação divulgada apenas pela Revista Galileu, aguardando outras fontes.
Fontes
- Revista Galileu fonte especializada
