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Estudos revelam que tigres-da-tasmânia eram diferentes do que se pensava

Em apuração ?

Nova pesquisa sugere que os chamados 'tigres' da Austrália não caçavam gado, desafiando mitos históricos

Crânios de tilacino em exposição em laboratório de pesquisa.
Imagem: CNN Brasil

Pesquisadores analisaram crânios de tilacinos e descobriram que esses marsupiais tinham adaptações específicas, o que indica que eles não eram ameaças ao gado como se acreditava.

Após décadas de mito e suposições, uma nova pesquisa trouxe à tona detalhes reveladores sobre os tigres-da-tasmânia, também conhecidos como tilacinos. Segundo a autora principal do estudo, publicada na revista Nature Communications, os crânios desses marsupiais apresentavam características únicas que dificultam a comparação com mamíferos carnívoros tradicionais. "Os tilacinos tinham uma combinação de atributos no crânio que sugerem uma dieta voltada para presas pequenas, como coelhos, ao invés de animais maiores, como ovelhas ou gado," explica a Dra. Vera Weisbecker, professora de biologia evolutiva da Universidade Flinders, na Austrália. A espécie foi extinta há cerca de 2.000 anos em praticamente toda a Austrália, exceto na ilha da Tasmânia, mas foi o contato com colonizadores britânicos no século XIX que acelerou sua exterminação.

De acordo com informações do Museu Nacional da Austrália, os colonizadores associavam os tilacinos a uma ameaça ao gado, especialmente às ovelhas, e ofereceram recompensas por sua captura. No entanto, investigações mais recentes indicam que essa associação era equivocada. Pesquisas anteriores já mostravam que os tilacinos tinham aproximadamente metade do tamanho estimado por estudos antigos, sendo semelhantes a grandes coiotes. Além disso, seu aspecto físico era mais parecida com o de cangurus do que com cães ou lobos, uma prova de sua distinção evolutiva. "Na verdade, os tilacinos eram mais parentes dos marsupiais que dos mamíferos carnívoros, o que explica sua morfologia única," reforça Weisbecker.

A descoberta reforça a ideia de que os mitos históricos influenciaram uma política de extermínio que levou ao desaparecimento da espécie. Ainda hoje, o último tilacino em cativeiro morreu em 1936, no zoológico de Beaumaris, em Hobart, Tasmânia, pouco após o governo local reconhecer oficialmente sua proteção. Essa tragédia é marcada pelo fato de que, coincidentemente, a espécie já tinha desaparecido quase por completo há séculos e os humanos só passaram a atribuir falsas ameaças a ela no século XIX. Pesquisadores continuam a buscar entender melhor esses animais que, por sua aparência exótica e semelhança com felinos e lobos, alimentaram muitos mitos ao longo do tempo.

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O que sabemos?

  • Tilacinos foram extintos há cerca de 2.000 anos na Austrália.
  • Último exemplar morreu em 1936 no zoológico de Beaumaris, Tasmânia.
  • Crânios de tilacino são maiores do que estudos anteriores indicavam.
  • Espécie tinha aparência semelhante a coiotes, não a lobos.
  • Novas análises mostram que não caçavam gado, ao contrário do que se pensava.

Fontes

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