Maternidade de Campinas não registra laqueaduras em cesáreas no primeiro semestre de 2026
Pacientes relatam negativas para realizar o procedimento apesar da negação oficial da unidade
Dados públicos indicam que a Maternidade de Campinas não realizou laqueaduras durante cesarianas de janeiro a junho deste ano, uma queda abrupta em relação a 2025. A instituição nega a interrupção do serviço, enquanto pacientes relatam dificuldades para acessar o procedimento.
A Maternidade de Campinas, conveniada ao Sistema Único de Saúde (SUS) do município, zerou os registros de laqueaduras feitas durante partos cesáreos no primeiro semestre de 2026, segundo dados públicos levantados pelo g1 Campinas. Enquanto em 2025 a média mensal desse procedimento era de 39, no início de 2026 não houve nenhum registro, o que tem gerado relatos de negativas de atendimento por parte das pacientes.
Os números mostram que entre janeiro e outubro de 2025 ocorreram 390 cesarianas com esterilização, uma média mensal equivalente a 39 procedimentos. No entanto, em novembro houve uma redução drástica para apenas cinco, caindo ainda para duas em dezembro do mesmo ano. Já nos primeiros seis meses de 2026, conforme a análise dos dados oficiais, não foi registrado nenhum procedimento de laqueadura associado ao parto.
Pacientes que procuraram a maternidade para realizar a ligadura das trompas durante a cesariana revelaram ter recebido respostas negativas, indicando dificuldade para acesso a esse tipo de esterilização. Embora essas informações estejam presentes nas reclamações de usuárias, a Maternidade de Campinas nega que tenha interrompido o serviço. Em nota, a instituição afirma que os dados divulgados estão desatualizados devido a atrasos nos processos de atualização dos registros, mas não apresentou informações que contradigam oficialmente os números públicos.
Vale destacar que a realização de laqueaduras isoladas, ou seja, procedimentos que não ocorrem durante o momento do parto, continuam sendo feitos pela unidade. O hospital é o único habilitado pela Prefeitura de Campinas para fazer este tipo de esterilização pelo SUS municipal, o que torna a queda dos registros de laqueaduras em cesáreas especialmente preocupante para as pacientes que dependem do serviço público.
Desde 2024, a Maternidade de Campinas passou a ser gerida pela mantenedora da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), numa mudança que ocorreu enquanto a instituição enfrentava uma dívida acumulada de R$ 142 milhões, outro fator que pode impactar a oferta de serviços. Por sua vez, a Secretaria de Saúde de Campinas orienta as pacientes que enfrentam dificuldades em realizar o procedimento a registrarem queixas diretamente na Ouvidoria do SUS, para que as reclamações possam ser apuradas e endereçadas.
O que sabemos?
- Maternidade de Campinas zerou registros de laqueaduras em cesarianas no primeiro semestre de 2026
- Em 2025, a média mensal era de 39 procedimentos desse tipo
- A maternidade é única autorizada pelo SUS municipal para o procedimento em Campinas
- A instituição nega a interrupção e afirma que os números estão desatualizados
Fontes
- G1 imprensa





