Solidão é risco global à saúde e cresce no Brasil, diz OMS e IBGE
Estudo da OMS aponta que 20% da população mundial se declara solitária; no Brasil, número de pessoas que vivem sozinhas triplicou em pouco mais de 20 anos
Análise envolvendo 200 mil pessoas em 150 países classificou a solidão como prioridade da saúde pública e revelou fatores como urbanização, tecnologia e desigualdade social. Pesquisa do IBGE mostra cenário preocupante entre os brasileiros, especialmente entre adolescentes.
Uma recente análise global publicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou que uma em cada cinco pessoas no mundo se declara solitária, fato que levou a entidade a classificar a solidão como uma prioridade para a saúde pública desde 2023. O estudo envolveu mais de 200 mil participantes de 150 países, ressaltando a dimensão internacional do problema.
Para enfrentar essa questão, a OMS criou a Comissão de Conexão Social, que tem por objetivo promover vínculos sociais em diferentes países, independentemente do nível de renda dessas nações. A análise ainda apontou fatores que contribuem para o fenômeno da solidão, tais como as mudanças aceleradas na urbanização, o avanço da tecnologia e o aumento da desigualdade social, elementos que, combinados, fragilizam as relações interpessoais tradicionais.
No Brasil, o problema também ganhou proporções alarmantes nos últimos anos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados em 2024, indicam que entre 2000 e 2023 o número de pessoas que vivem sozinhas triplicou no país — uma transformação significativa no modo como as relações sociais são organizadas. Além disso, a pesquisa revelou que 26% dos adolescentes brasileiros sentem que ninguém se importa muito com eles, um dado que evidencia o impacto da solidão nas faixas etárias mais vulneráveis.
Para compreender melhor esse fenômeno, especialistas destacam a importância de diferenciar três conceitos que frequentemente são confundidos: a solidão, a solitude e o isolamento social. A solidão, segundo a análise da OMS, corresponde à discrepância entre as conexões sociais desejadas por uma pessoa e aquelas que ela efetivamente tem. Já a solitude é descrita como um estado saudável, caracterizado pelo desejo voluntário de estar sozinho sem sofrimento associado. Por fim, o isolamento social consiste na ausência ou falta de contato com outras pessoas — condição que pode ser involuntária e prejudicial à saúde mental.
Embora algumas informações sobre solidão e suas causas tenham sido divulgadas pela CNN Brasil, outras fontes oficiais ainda não confirmaram todos os detalhes da pesquisa, o que reforça a necessidade de acompanhamento contínuo do tema. De qualquer forma, o alerta da OMS e os dados do IBGE indicam que entender e combater a solidão é um desafio crescente para a saúde pública no mundo e no Brasil.
O que sabemos?
- OMS analisou mais de 200 mil pessoas em 150 países e identificou 20% delas como solitárias
- Desde 2023, OMS classifica solidão como prioridade global de saúde
- No Brasil, número de pessoas vivendo sozinhas triplicou entre 2000 e 2023
- Pesquisa do IBGE (2024) apontou que 26% dos adolescentes brasileiros sentem falta de cuidado social
Fontes
- CNN Brasil imprensa




