Como o envelhecimento altera a forma como lembramos do passado
Pesquisa inglesa revela que, com o tempo, memórias específicas dão lugar a versões mais gerais das experiências vividas
Um estudo da Universidade de East Anglia mostra que, conforme envelhecemos, nossa memória perde detalhes vívidos e se torna focada em aspectos mais gerais das lembranças, mudando a maneira como resgatamos informações pessoais.
Com o avanço da idade, guardar lembranças detalhadas do passado pode parecer mais complicado do que simplesmente “abrir um arquivo” na memória. Segundo um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de East Anglia, na Inglaterra, o envelhecimento não só reduz a capacidade de lembrar detalhes específicos como imagens, sons e emoções, mas também altera o modo como diferentes tipos de memórias são recuperados.
Publicado em 27 de julho na revista Psychology and Aging, o estudo envolveu 74 participantes, divididos em dois grupos: 37 estudantes jovens e 37 adultos mais velhos. Os pesquisadores analisaram as memórias autobiográficas, que são aquelas experiências pessoais que ajudam a construir a narrativa da vida, seja uma festa de aniversário única ou uma rotina diária, como o trajeto até o trabalho.
De acordo com o professor Louis Renault, da Escola de Psicologia da Universidade de East Anglia e autor principal da pesquisa, “à medida que envelhecemos, nossas memórias tendem a se tornar menos detalhadas e mais gerais, focando na história como um todo em vez de momentos específicos”. Essa transformação acontece devido a alterações no funcionamento cerebral que afetam a forma como as informações são recuperadas do passado.
Isso significa que uma lembrança que antes era vívida e rica em detalhes pode se transformar em uma versão mais ampla e menos precisa do que realmente aconteceu. Enquanto jovens tendem a trazer à tona imagens e sensações específicas, os adultos mais velhos passam a recuperar interpretações e noções gerais de suas experiências.
O que sabemos?
- Com o avanço da idade, a memória perde detalhes específicos e se torna mais geral.
- O estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade de East Anglia, Inglaterra.
- A pesquisa foi publicada em 27 de julho na revista Psychology and Aging.
- Participaram 74 pessoas, sendo 37 estudantes jovens e 37 adultos mais velhos.
- O envelhecimento modifica a forma como diferentes tipos de memórias autobiográficas são recuperadas.
- Há uma tendência, com a idade, de lembrar menos de imagens, sons e emoções específicas e mais de interpretações gerais das experiências.
O que ainda não foi confirmado?
- Impacto dessas modificações na construção da identidade pessoal.
- Influência dessas alterações na compreensão de relatos ou lembranças por quem convive com idosos.
Fontes
- Revista Galileu fonte especializada



