Escrever sobre a própria vida pode reduzir sintomas de depressão, indica estudo
Pesquisa da Universidade Cornell mostrou benefícios duradouros com apenas duas semanas de escrita terapêutica
Um estudo recente sugere que transformar experiências pessoais em narrativas escritas por duas semanas ajuda a diminuir sintomas depressivos em jovens adultos, com efeitos que duram meses.
Transformar as experiências da própria vida em uma narrativa escrita pode ser uma ferramenta poderosa no combate à depressão. Segundo um estudo publicado recentemente no Journal of Consulting and Clinical Psychology e replicado pela Agência Einstein, apenas duas semanas de escrita terapêutica já foram suficientes para reduzir sintomas moderados a graves da doença, com benefícios que se prolongaram durante dois meses após o término da prática.
A pesquisa envolveu 112 voluntários com idades entre 18 e 29 anos, todos apresentando sintomas depressivos em níveis de moderados a graves. Os participantes foram divididos em dois grupos: um deles escreveu diariamente sobre o cotidiano, enquanto o outro era incentivado a refletir e escrever sobre experiências pessoais que os levassem a pensar sobre si mesmos e sua trajetória de vida.
O método utilizado consistia em perguntas direcionadas em duas categorias. Por exemplo, os voluntários eram convidados a descrever uma experiência marcante da infância, refletir sobre seu "eu" atual em seus valores e motivações ou comentar como a escrita influenciava sua percepção sobre os rumos tomados na vida. Segundo os pesquisadores, isso gerava um aumento nas percepções positivas que tinham de si e uma diminuição da chamada sensação de descarrilamento, isto é, a desconexão entre passado, presente e futuro.
“Construir uma história, uma narrativa sobre si, é um fator protetor por fortalecer nossos valores e nossa percepção de identidade. Isso evita que a gente se identifique com uma visão distorcida de si mesmo e se veja só como uma série de fracassos, ajudando a perceber a progressão da vida”, afirmou o psiquiatra Daniel Oliva, coordenador médico do Espaço Einstein de Bem-estar e Saúde Mental do Einstein Hospital Israelita.
O experimento teve coordenação de pesquisadores da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, e mostrou que o ato diário de escrever, mesmo por períodos breves, pode ser muito mais que um passatempo: trata-se de uma estratégia terapêutica capaz de ajudar quem sofre com sintomas depressivos severos a resgatar um olhar mais positivo sobre si mesmo e seu percurso pessoal.
O que sabemos?
- A escrita terapêutica diária por duas semanas reduz sintomas de depressão moderada a grave.
- O estudo envolveu 112 voluntários entre 18 e 29 anos.
- Participantes escreviam sobre experiências pessoais ou rotina diária.
- Benefícios duraram até dois meses após o fim da prática.
O que ainda não foi confirmado?
- Informações divulgadas apenas pela Superinteressante até o momento.
Fontes
- Superinteressante fonte especializada



