Por que o câncer de cabeça e pescoço é diagnosticado tardiamente no Brasil?
Especialistas apontam fatores que dificultam o reconhecimento precoce e o início do tratamento dessas doenças
Estudo do Inca revela que 80% dos casos de câncer de cabeça e pescoço no Brasil são detectados em estágios avançados. Falta de sintomas iniciais e desinformação são apontadas como barreiras para o diagnóstico precoce, alertam médicos especialistas.
Os cânceres de cabeça e pescoço englobam tumores que atingem diversas partes do rosto e da garganta, incluindo boca, língua, laringe, fossas nasais, seios da face, glândulas salivares, tireoide, paratireoides e pele da região. Apesar das diferenças entre essas doenças, todas enfrentam um problema alarmante no Brasil: a maioria dos diagnósticos só ocorre em estágio avançado.
Segundo um estudo de 2025 do Instituto Nacional de Câncer (Inca), cerca de 80% dos casos são identificados tardiamente. O cirurgião Renan Bezerra Lira, coordenador da pós-graduação em Cirurgia Robótica de Cabeça e Pescoço do Einstein Hospital Israelita, explica que "são vários fatores que explicam essa proeminência dos diagnósticos tardios no Brasil". Entre eles, destaca-se a ausência de sintomas significativos nos estágios iniciais, o que permite que os tumores cresçam silenciosamente antes de serem percebidos.
Lira acrescenta que há também uma grande falta de conscientização sobre a doença, tanto na população quanto entre profissionais de saúde. Isso faz com que os pacientes demorem para buscar atendimento e, quando o fazem, a suspeita de câncer não seja imediata. O médico Carlos Eduardo Santa Ritta Barreira, coordenador das Comissões de Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), comenta que "em muitos casos, os sintomas iniciais são confundidos com problemas de saúde mais simples, como dor de garganta, afta ou rouquidão".
Essa confusão pode atrasar ainda mais o diagnóstico e o início do tratamento adequado, comprometendo o prognóstico. O problema de detecção tardia, segundo especialistas, não é exclusivo do Brasil, o que tem motivado a ciência a desenvolver novas ferramentas para identificar essas formas agressivas de câncer com mais rapidez e eficácia.
Em um país onde 80% dos casos só são diagnosticados quando a doença já está avançada, o chamado para melhorar a educação em saúde e o preparo dos profissionais se faz urgente, garantindo que os sintomas iniciais sejam reconhecidos e tratados o quanto antes.
O que sabemos?
- Cerca de 80% dos cânceres de cabeça e pescoço no Brasil são diagnosticados tardiamente, segundo estudo de 2025 do Inca.
- Falta de sintomas iniciais e desinformação na população e entre profissionais de saúde contribuem para o atraso no diagnóstico.
- Sintomas iniciais costumam ser confundidos com doenças simples, como dor de garganta, afta ou rouquidão.
- A ciência busca desenvolver ferramentas para identificar rapidamente formas agressivas desses cânceres.
O que ainda não foi confirmado?
- Informação divulgada apenas por Revista Galileu; aguardando outras fontes.
Fontes
- Revista Galileu fonte especializada



