Saúde

O segredo biológico que pode explicar a longevidade extrema

Em apuração ?

Estudo identifica células raras do sistema imunológico em supercentenários que podem proteger contra o câncer

Diagrama ilustrativo de células CD4 citotóxicas no sistema imunológico
Imagem: Superinteressante

Pesquisa japonesa revela que pessoas com mais de 110 anos apresentam níveis elevados de células CD4 citotóxicas, apontadas como potenciais aliadas no combate ao câncer, embora ainda não comprovadas cientificamente.

O que diferencia os supercentenários – pessoas que ultrapassam os 110 anos de idade – da maioria da população? Segundo um estudo publicado na revista científica Cell Reports, um tipo raro de célula do sistema imunológico pode estar por trás da longevidade extrema desses indivíduos. Essas células, conhecidas como CD4 citotóxicas, teriam um papel fundamental no combate a doenças como o câncer, embora essa função ainda não tenha sido completamente comprovada pelos pesquisadores.

Para investigar essa relação, cientistas de universidades japonesas recrutaram 28 participantes divididos em três faixas etárias: oito pessoas entre 70 e 99 anos, dez entre 100 e 109 anos e outros dez supercentenários com mais de 110 anos. Os resultados mostraram um aumento progressivo da presença dessas células raras conforme a idade avançava. Enquanto o grupo mais jovem apresentava uma média de 4% dessas células entre o total de células T CD4, os centenários tinham cerca de 10%, e os supercentenários aproximadamente 18%.

Segundo os autores do estudo, o aumento dessas células CD4 citotóxicas pode estar associado à habilidade de esses indivíduos eliminarem células cancerígenas e, assim, prolongarem sua expectativa de vida. Entretanto, o principal desafio está no fato de esse tipo de célula ser pouco estudado e não haver ainda um consenso sobre seu funcionamento exato no corpo humano.

Vale destacar a raridade dos supercentenários no mundo, o que dificulta pesquisas mais abrangentes. Atualmente, o Brasil conta com cerca de 37 mil pessoas com 100 anos ou mais, mas esse número encolhe consideravelmente ao se considerar aqueles que ultrapassam os 110 anos. Para efeito de comparação, a expectativa média de vida ao nascer no mundo é de aproximadamente 73 anos, segundo dados globais, enquanto no Brasil esse valor é um pouco maior, chegando a 76,4 anos, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Essas diferenças refletem fatores variados, como acesso a saneamento básico, nível socioeconômico, desenvolvimento regional e hábitos de vida. Mesmo com melhorias que ampliam a longevidade, a passagem da barreira dos 100 anos ainda é um feito raro e intrigante para a ciência. O avanço no estudo das células CD4 citotóxicas pode abrir caminhos para novos entendimentos e tratamentos que aumentem a qualidade e a duração da vida humana.

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O que sabemos?

  • Supercentenários têm níveis muito elevados de células CD4 citotóxicas, cerca de 18% das células T CD4
  • Centenários apresentam 10% dessas células, enquanto pessoas mais jovens têm aproximadamente 4%
  • Essas células podem ajudar no combate ao câncer, contribuindo para a longevidade
  • O estudo foi feito por cientistas japoneses com participantes entre 70 e mais de 110 anos

O que ainda não foi confirmado?

  • A função exata das células CD4 citotóxicas no combate ao câncer ainda não foi comprovada

Fontes

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