Estudo aponta contradição entre presidenciáveis sobre emendas parlamentares
Mesmo criticando o sistema, candidatos focam em propostas genéricas e evitam mudanças estruturais
Levantamento da Transparência Internacional Brasil revela que planos de governo para as eleições mantêm ênfase em propostas vagas para o uso das emendas parlamentares, que movimentam R$ 61 bilhões por ano e são alvo de investigações judiciais.
Os candidatos à Presidência da República criticam as emendas parlamentares, mas suas propostas sobre o tema são genéricas e não apresentam avanços concretos quanto ao modelo de alocação de verbas. O alerta é de um estudo da ONG Transparência Internacional Brasil, que analisou os planos de governo apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições deste ano.
Segundo a Transparência Internacional Brasil, as emendas parlamentares são parcelas do Orçamento da União que podem ser indicadas diretamente por deputados e senadores, direcionando recursos para obras, equipamentos, custeio de serviços e investimentos nos estados e municípios onde atuam politicamente. Para 2024, esse montante somará R$ 61 bilhões, um valor significativo que sustenta forte interesse e, por isso, está sob investigação da Polícia Federal (PF) e do Supremo Tribunal Federal (STF).
Guilherme France, gerente do Núcleo de Incidência e Litigância Estratégica da Transparência Internacional Brasil, destaca que "nenhum candidato propõe um reequilíbrio dos poderes e responsabilidades. Se os parlamentares vão controlar recursos do Orçamento e indicar diretamente os beneficiários dessas verbas, eles precisam ser responsabilizados em caso de desvios". A reclamação sinaliza a preocupação por maior transparência e controle na execução desses recursos.
O estudo evidencia que, embora os presidenciáveis tenham feito críticas públicas ao sistema de emendas parlamentares, quando ocuparam cargos públicos, pouco fizeram para modificar o mecanismo. Suas propostas para o tema focam em declarações vagas, sem detalhar como evoluir a governança desses recursos, cuja fiscalização está atualmente no centro dos debates do Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Flávio Dino.
O combate a possíveis desvios das emendas parlamentares é uma questão de interesse público, dada a relevância dos valores envolvidos e o impacto direto na execução de políticas e investimentos locais. A decisão judicial e a pressão por maior transparência devem influenciar o debate eleitoral e a formulação das propostas de gestão do orçamento federal nas próximas eleições.
O que sabemos?
- Emendas parlamentares destinam R$ 61 bilhões em 2024 para serem indicadas por deputados e senadores.
- ONG Transparência Internacional Brasil analisou planos de governo dos presidenciáveis.
- Candidatos criticam o sistema, mas apresentam propostas genéricas e sem avanços.
- Investigação da PF e STF envolve a execução das emendas parlamentares.
O que ainda não foi confirmado?
- Informação inicialmente divulgada apenas pelo G1, aguardando confirmação de outras fontes.
Fontes
- G1 imprensa



