Flávio Bolsonaro evita revelar voto sobre fim da escala 6x1 e critica ministro Moraes após ligação com Vorcaro
Senador e candidato à Presidência defende projeto alternativo à proposta do governo Lula e pede renúncia de Alexandre de Moraes ao STF
Flávio Bolsonaro preferiu não confirmar seu voto sobre o fim da escala 6x1 no Senado, defendendo a liberdade na jornada de trabalho. Ao mesmo tempo, criticou Alexandre de Moraes após revelações sobre um contrato entre o ministro e o empresário Daniel Vorcaro.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que concorre à Presidência da República, evitou nesta semana declarar como votará sobre a proposta que prevê o fim da escala 6x1 no Senado, tema que está agendado para votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na próxima quarta-feira (2). O projeto defendido pelo governo Lula (PT) tem apelo popular e propõe a extinção dessa jornada, porém sem redução salarial — pauta defendida firmemente pela campanha do petista à reeleição.
Entrevistado pelo programa Domingo Espetacular, da Record, e em entrevista à imprensa em Brasília, Flávio Bolsonaro reforçou que apoia um projeto alternativo que flexibiliza a jornada de trabalho. Segundo ele, o trabalhador deve ter liberdade para escolher sua própria escala, sem prejuízo dos direitos trabalhistas previstos na Constituição. "O que a gente está defendendo? É a liberdade. Você vai ter todos os seus direitos trabalhistas garantidos como estão na Constituição Federal. Mas vai trabalhar quantas horas você quiser, você vai montar a sua escala de trabalho", declarou o senador.
Apesar de defender essa alternativa, Flávio recusou-se a confirmar se irá votar contra a proposta do governo e insistiu que a votação do projeto do PL deve acontecer primeiro. "Primeiro vota a nossa proposta, depois vê o que é que faz. Vocês estão querendo arrancar uma palavra da minha boca, o que vocês querem é a resposta que eu não vou dar para vocês", afirmou. Ele afirmou ainda que a votação do Senado poderá sequer exigir sua presença física, já que estará em campanha no Rio Grande do Sul e poderá participar de forma remota.
Na mesma semana, uma revelação envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes adicionou um novo capítulo à disputa política. Documentos revelados pelo jornal O Estado de S. Paulo mostraram que metadados de um contrato de R$ 131 milhões, firmado pela banca de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, foram editados por um usuário identificado como "Ministro Alexandre de Moraes". O contrato foi enviado via WhatsApp ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O senador Flávio Bolsonaro classificou os fatos como "muito grave" e afirmou que Moraes deveria renunciar ao Supremo. "Eu acho que o Alexandre de Moraes deveria renunciar ao Supremo Tribunal Federal. Não tem a menor condição de continuar sendo ministro do Supremo", disse antes de uma sessão na Comissão de Segurança Pública do Senado. O parlamentar argumentou que o episódio sugere uma proteção institucional indevida a Vorcaro, também investigado pela Polícia Federal em um inquérito sobre suposta rede de influência.
Segundo relatório da Polícia Federal — obtido pelos repórteres Márcio Falcão, Ana Flávia Castro, Marcelo Parreira e Mariana Laboissière e divulgado por G1 e TV Globo —, Daniel Vorcaro enviou diversas mensagens ao ministro Moraes, incluindo uma em 14 de novembro onde afirma ter uma "dívida de vida" com Moraes, agradecendo por "tudo" em nome de sua família, funcionários e parceiros. No mesmo dia, os dois combinaram um encontro na casa do empresário. O relatório foi elaborado a pedido do ministro André Mendonça, relator de investigações sobre o caso.
O escritório da esposa do ministro, por sua vez, divulgou nota esclarecendo que o setor de compliance pediu informações a Alexandre de Moraes, na condição de marido de Viviane Barci, para verificar eventuais impedimentos legais relativos à contratação do cliente Vorcaro, como processos que possam envolver o magistrado.
Esses desdobramentos políticos enquanto se aproxima a votação da escala 6x1 — que mexe com a rotina de milhares de trabalhadores brasileiros — revelam um cenário tenso e complexo que entrelaça pautas trabalhistas, jurídicas e eleitorais, com chances de impactar a campanha e o ambiente institucional brasileiro.
O que sabemos?
- Flávio Bolsonaro não revelou como votará na PEC que acaba com a escala 6x1 no Senado.
- Ele defende uma alternativa que flexibiliza a jornada e concede liberdade ao trabalhador para montar sua escala de trabalho.
- O ministro Alexandre de Moraes editou metadados de um contrato de R$ 131 milhões firmado pela banca da esposa com Daniel Vorcaro.
- Relatório da PF apontou mensagens de Vorcaro a Moraes agradecendo por "dívida de vida" e relatou encontros entre os dois.
Fontes
- UOL Notícias imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa
- UOL Notícias imprensa
- UOL Notícias imprensa
- G1 imprensa
- G1 imprensa
- G1 imprensa
- CNN Brasil imprensa
- CNN Brasil imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa
- G1 imprensa




