Entenda a crise sem precedentes no STF envolvendo o ministro Alexandre de Moraes
Plenário do Supremo terá que decidir futuro das investigações sobre suposta relação entre ministro e banqueiro
Mensagens do inquérito sobre fraudes no Banco Master apontam pedido de favorecimento e contrato bilionário com escritório da esposa de Moraes. PGR pede anulação do caso; STF deve julgar.
O Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta uma crise considerada "sem precedentes" envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. O plenário da Corte terá que decidir qual será o desfecho das investigações que apuram a relação do ministro com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, instituição que foi liquidada pelo Banco Central em novembro passado.
Segundo informações da BBC News Brasil, as suspicazes investigações foram desencadeadas a partir de mensagens extraídas do celular de Vorcaro, no âmbito de um inquérito que apura fraudes bilionárias no Banco Master. Essas conversas indicam uma série de interações atribuídas a Vorcaro, Moraes e pessoas ligadas à família do ministro, além de um suposto pedido do banqueiro para que o ministro interferisse a seu favor junto à atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR), então comandada por Paulo Gonet.
Ainda segundo a apuração, o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Moraes, mantinha um contrato no valor de R$ 131 milhões com o Banco Master. Mais recentemente foi revelado que o próprio ministro teria editado esse contrato, levantando questionamentos sobre o envolvimento pessoal do magistrado nas relações com o banco investigado.
Na segunda-feira (31/8), o ministro André Mendonça, que é o relator das investigações referentes ao Banco Master, determinou que a PGR analisasse o relatório da Polícia Federal que detalhava a relação entre Moraes e Vorcaro, a fim de que o órgão se manifestasse sobre a abertura ou não de uma investigação formal contra Moraes. Contudo, na noite da terça-feira (1/9), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se pela anulação do caso. Ele argumentou que Mendonça não teria competência para solicitar diretamente à Polícia Federal a elaboração do relatório sem submeter a questão ao plenário do STF previamente.
Ao que tudo indica, segundo criminalistas consultados pela mesma fonte, o próximo passo será o julgamento pelo plenário do Supremo, que deverá decidir tanto sobre o pedido de anulação da atuação de Mendonça quanto sobre a possibilidade de abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. A data dessa sessão ainda depende do agendamento realizado pelo presidente da Corte, Edson Fachin.
Até o momento, essas informações foram divulgadas exclusivamente pela BBC News Brasil e ainda não foram confirmadas oficialmente por outras fontes ou pelo próprio STF. O caso traz uma dimensão inédita ao Supremo, pois questiona a conduta interna de um de seus membros de maneira direta e envolve investigações multifacetadas sobre crimes financeiros e possível interferência na procuradoria.
O que sabemos?
- Mensagens do celular do banqueiro Daniel Vorcaro apontam suposto pedido para o ministro Alexandre de Moraes intervir na PGR.
- O escritório da esposa de Moraes tinha um contrato de R$ 131 milhões com o Banco Master, e o contrato foi editado por Moraes.
- O ministro André Mendonça determinou a análise da relação entre Moraes e Vorcaro pela PGR.
- A PGR, liderada por Paulo Gonet, pediu a anulação das investigações, alegando que Mendonça agiu sem passar pelo plenário do STF.
Fontes
- BBC News Brasil imprensa





