Policial

Nova rota internacional de tráfico humano leva brasileiros do Camboja a Madagascar

Em apuração ?

Rede criminosa migra para África e outros países após fiscalização no Sudeste Asiático aumentar

Mapa ilustrando a nova rota de tráfico humano do Camboja para Madagascar
Imagem: G1

Após reforço da repressão no Sudeste Asiático, redes de tráfico humano começaram a enviar brasileiros para Madagascar, onde vítimas relatam ameaças e agressões. Ministério da Justiça reforça alerta contra falsas promessas de emprego no exterior.

Vinte e três brasileiros foram detidos em Madagascar na última terça-feira (19), em uma operação que revelou uma nova rota internacional de tráfico humano. A mudança no percurso utilizado pelas redes criminosas ocorre após o aumento da fiscalização no Sudeste Asiático, tradicional ponto de recrutamento e atuação dessas organizações, especialmente em golpes virtuais.

Segundo Cintia Meirelles, diretora da ONG Exodus Road Brasil, especializada em combater o tráfico humano, o endurecimento das ações policiais na região — incluindo um conflito entre Tailândia e Camboja, ocorrido em 2025, que intensificou as investigações — forçou essas redes a expandirem suas áreas de atuação para países como Madagascar, Paraguai, Ucrânia, Armênia, Malásia e os Emirados Árabes Unidos. "Há mesmo uma nova rota depois que houve o conflito entre Tailândia e Camboja em 2025. Policiais acabaram entrando mais nos complexos de golpes feitos com vítima de tráfico humano, e as redes passaram a se pulverizar para a África, como Madagascar, e outros países como Paraguai, Ucrânia, Armênia, Malásia e a cidade de Dubai. Eles estão realmente pulverizando para outros locais, o que faz com que fique mais difícil de monitorar", afirmou Cintia.

As vítimas são atraídas por meio de anúncios na internet que oferecem oportunidades de emprego extremamente vantajosas, um método que especialistas apelidam de "cebo". Ao chegarem ao país estrangeiro, os brasileiros têm seus passaportes apreendidos e passam a sofrer ameaças, inclusive com armas, segundo relatos do grupo detido em Madagascar. Além disso, eles são forçados a se envolver em golpes virtuais, que geram lucros para as organizações criminosas, numa situação que configura situação clara de tráfico humano.

O Ministério da Justiça tem orientado a população a desconfiar de propostas no exterior que apresentem condições inadequadamente tentadoras, alertando para os riscos de serem vítimas desse tipo de crime. Para denúncias, o Disque 100 recebe informações de forma anônima, ajudando a mapear e combater essas redes.

Por ora, as informações sobre essa rotatividade do tráfico humano vêm majoritariamente do portal G1, e ainda não foram confirmadas oficialmente por outras fontes. O caso evidencia a dificuldade crescente das investigações diante do espalhamento das operações criminosas pelo mundo, que usam países variados como pontos intermediários para manter seus esquemas.

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O que sabemos?

  • 23 brasileiros foram detidos em Madagascar em 19 de março
  • Redes de tráfico humano mudaram rota do Sudeste Asiático para Madagascar e outros países após fiscalização aumentar
  • Vítimas são atraídas por falsas ofertas de emprego e obrigadas a participar de golpes virtuais no exterior
  • ONG Exodus Road Brasil identificou os novos destinos e explica o contexto da mudança

Fontes

  • G1 imprensa
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