Advogado preso idealizou cartel das cantinas em presídios do Rio, aponta Ministério Público
Operação Snack Time denuncia 22 réus por fraude em licitações e organização criminosa no sistema de cantinas dos presídios fluminenses
Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, Leandro Rodrigues Mendonça criou um esquema para controlar licitações e eliminar concorrentes nas cantinas de presídios entre 2015 e 2024, causando prejuízo superior a R$ 25 milhões aos cofres públicos.
Em uma sequência de investigações que durou quase uma década, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) revelou que o advogado Leandro Rodrigues Mendonça criou um cartel para fraudar licitações das cantinas nos presídios do estado enquanto ainda estava preso. A denúncia, apresentada pelo Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ), levou à aceitação da ação contra 22 denunciados, que agora respondem criminalmente por organização criminosa e fraude em licitações.
Leandro cumpria pena por fraude no seguro DPVAT quando teve a ideia de montar o esquema criminoso. Após ser libertado, ele e outros envolvidos passaram a executar o plano, dominando o controle das cantinas de unidades prisionais do Rio de Janeiro, segundo acusação do Ministério Público. A operação, denominada Snack Time, cumpriu mandados de busca e apreensão em 1º de agosto de 2024, marcando a segunda fase do combate ao grupo.
De acordo com o MPRJ, o cartel atuou entre 2015 e 2024, período em que eliminou sistematicamente concorrentes para garantir o controle das licitações. Em uma licitação documentada, o grupo venceu 38 de 40 lotes disponíveis, evidenciando a articulação para monopolizar o serviço das cantinas. O prejuízo estimado aos cofres estaduais ultrapassa R$ 25 milhões.
Entre os réus, além de Leandro Rodrigues Mendonça, está o também advogado Alexandre Costa da Silva, apontado como participante do esquema. A denúncia formalizada contra os 22 investigados cita envolvimento direto na organização criminosa montada para fraudar os processos licitatórios e garantir contratos com preços superfaturados para a exploração do fornecimento de produtos nas cantinas dos presídios.
O sistema de cantinas tradicional acabou sendo extinto em 2024 com a transição para compras realizadas pela internet, na tentativa de aumentar a transparência e dificultar novos esquemas fraudulentos. Até o momento, não houve pronunciamento oficial dos denunciados ou de seus representantes sobre o caso. Também não foram confirmadas outras fontes a respeito das investigações, que até aqui são baseadas nas informações divulgadas pelo G1.
A complexa articulação para manter o monopólio das cantinas em unidades prisionais traz à tona o impacto das fraudes em licitações públicas, especialmente em setores vulneráveis como o sistema penitenciário. O caso evidencia a necessidade de mecanismos mais rigorosos de fiscalização para evitar prejuízos ao erário e garantir concorrência justa.
O que sabemos?
- Leandro Rodrigues Mendonça criou o cartel enquanto estava preso por fraude no DPVAT.
- O cartel atuou entre 2015 e 2024 nas licitações das cantinas dos presídios do Rio de Janeiro.
- 22 pessoas foram denunciadas e tornadas réus por organização criminosa e fraude em licitação.
- O prejuízo estimado causado pelo esquema ultrapassa R$ 25 milhões.
Fontes
- G1 imprensa





