Poluição industrial afetou gravuras rupestres na Austrália, revela estudo
Relatório aponta que danos ocorreram no passado, mas deterioração atual não acelera
Pesquisa da Curtin University indica que petroglyphs milenares no noroeste da Austrália foram prejudicados por poluição, mas situação atual não ameaça sua preservação aceleradamente.
Um novo relatório divulgado pelo governo de Western Australia revelou que a poluição industrial provocou mais danos do que se supunha às gravuras rupestres espalhadas pela Península Burrup e pelo Arquipélago Dampier, na região do Pilbara, no noroeste do estado. A pesquisa, conduzida por três anos por cientistas da Curtin University e membros das comunidades aborígenes locais, faz parte do Murujuga Rock Art Monitoring Program, focado na proteção das cerca de um a dois milhões de petroglyphs históricas dessas terras.
Segundo o estudo, o impacto da poluição no estado preservou efeitos do passado, e os cientistas apontam que a atual atividade industrial na região não está acelerando a deterioração das imagens gravadas em rochas. As gravuras ilustram animais, plantas, rituais e práticas culturais e foram criadas ao longo de dezenas de milhares de anos pelo povo Ngarda-Ngarli, que compreende cinco grupos aborígenes: Yaburara, Ngarluma, Yindjibarndi, Mardudhunera e Wong-Goo-Tt-Oo.
Desde a década de 1960, a Península Burrup tornou-se um polo de atividades industriais, abrigando fábricas de fertilizantes e unidades de gás natural liquefeito. A convivência dessas indústrias com o patrimônio rupestre gerou preocupações tanto de cientistas quanto da comunidade local, que, há anos, questionam o impacto da poluição atmosférica originada nesses complexos sobre as delicadas gravuras. O Murujuga Rock Art Monitoring Program foi criado justamente para responder a esses questionamentos e garantir a proteção desse patrimônio inestimável.
De acordo com a pesquisa, enquanto os produtos químicos liberados no ar no passado causaram uma degradação maior do que se imaginava, o monitoramento atual demonstra que a deterioração não se intensifica nos dias de hoje.
Além da relevância arqueológica, as gravuras são testemunho vivo da cultura e espiritualidade dos povos originários locais, e sua conservação é fundamental para que futuras gerações compreendam e valorizem essa história que ultrapassa cinquenta mil anos. O relatório do governo de Western Australia traz à tona a complexidade de proteger o patrimônio diante das pressões da industrialização, ao mesmo tempo em que reforça a necessidade do diálogo e da colaboração entre cientistas, comunidades tradicionais e o setor produtivo.
O que sabemos?
- A poluição industrial causou danos históricos às gravuras rupestres na Península Burrup e no Arquipélago Dampier, na região do Pilbara, em Western Australia.
- A atual atividade industrial não está acelerando a deterioração das gravuras, segundo pesquisa do Murujuga Rock Art Monitoring Program.
- As gravuras foram criadas ao longo de dezenas de milhares de anos pelo povo Ngarda-Ngarli, que inclui cinco grupos aborígenes: Yaburara, Ngarluma, Yindjibarndi, Mardudhunera e Wong-Goo-Tt-Oo.
- A região tornou-se um centro industrial desde a década de 1960, com fábricas de fertilizantes e unidades de gás natural liquefeito.
- O Murujuga Rock Art Monitoring Program combina pesquisadores da Curtin University e membros das comunidades aborígenes para estudar e proteger o patrimônio.
- As gravuras têm profundo significado cultural e espiritual para os povos originários, refletindo aproximadamente cinquenta mil anos de história e cuidado.
O que ainda não foi confirmado?
- Poluição industrial como causa dos danos foi divulgada apenas pela Smithsonian Magazine e aguarda confirmação de outras fontes.
Fontes
- Smithsonian Magazine fonte especializada


