Entenda o que provocou as enchentes devastadoras na fronteira entre Nepal e Tibete
Especialistas apontam deslizamento de terra associado a geleira como causa provável das inundações que deixaram centenas de mortos
No final de agosto, fortes enchentes arrasaram áreas na divisa entre Nepal e o Tibet, na China, deixando mais de 900 mortos e milhares desaparecidos. Cientistas ainda estudam as causas exatas do desastre, mas indicam um grande deslizamento de terra como o gatilho principal.
Na manhã de 26 de agosto, um evento natural catastrófico atingiu a região próxima à fronteira entre Nepal e o Tibete, território governado pela China, deixando um rastro de destruição marcado por prédios, pontes e outras infraestruturas destruídas. Segundo autoridades locais, até o dia 31 de agosto, mais de 900 pessoas haviam morrido, enquanto cerca de 5 mil continuam desaparecidas.
“Foi uma enorme enxurrada de lama vindo direto em nossa direção”, relatou ao jornal The Guardian Keshav Prasad Baral, um sobrevivente de 68 anos. “Minha esposa ainda está embaixo da lama. Ela se foi.” A imagem das ruas cobertas de lama reforça a dimensão dramática do desastre.
Os primeiros indícios sobre a origem do evento indicam que um fenômeno geológico ocorrido no Parque Nacional Lāṅṭāṇ, no Himalaia nepalês, teria desencadeado as enchentes. Fundada na análise divulgada pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) no dia 27 de agosto, uma massa de terra deslizou, possivelmente acompanhada pelo movimento de uma geleira ou pelo colapso de parte dela — situação em que um pedaço do gelo se rompe. Este evento teria liberado uma energia equivalente a um tremor de magnitude 5,2 na escala Richter.
Especialistas ainda debatem a origem precisa da massa que desceu pela montanha. Pesquisadores envolvidos na análise, reunidos em um grupo de discussão online, apontam que a hipótese do colapso da geleira não se sustentaria fisicamente. Imagens de satélite capturadas na noite de 26 de agosto mostram um trecho de montanha praticamente desprovido de vegetação, o que é característico de um grande deslizamento. Para o sismologista Göran Ekström, da Universidade Columbia, que conversou com a reportagem do The Guardian, “a geleira apenas veio junto” no processo, sem ser a causa principal.
Apesar desses avanços na investigação, a origem exata da água que alimentou as enchentes ainda não foi confirmada oficialmente. A revista Smithsonian Magazine foi a principal fonte a divulgar essa informação, mas outras confirmações ainda são aguardadas.
O desastre deixou claro que a região do Himalaia, conhecida por sua geografia complexa e clima improvável, permanece vulnerável a eventos naturais inesperados. Entender o mecanismo dessas enchentes pode ser fundamental para reduzir riscos futuros e melhorar sistemas de alerta.
O que sabemos?
- Em 26 de agosto, deslizamento de terras próximo à fronteira entre Nepal e Tibete causou enchentes devastadoras.
- Até 31 de agosto, mais de 900 mortos e cerca de 5 mil desaparecidos foram registrados.
- O evento liberou energia equivalente a um terremoto de magnitude 5,2.
- Cientistas indicam que um grande deslizamento, e não o colapso da geleira, foi a provável causa.
Fontes
- Smithsonian Magazine fonte especializada





