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Desaparecimento de centenas de trabalhadores em usinas no Nepal preocupa equipe de resgate

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Túneis de projetos hidrelétricos soterrados por lama após enchentes têm centenas de operários desaparecidos, e buscas são dificultadas pelas condições meteorológicas e destruição de infraestrutura

Equipe de resgate operando em área montanhosa afetada por enchentes e lama
Imagem: BBC News Brasil

Após enchentes e avalanches devastarem o Nepal, mais de 900 pessoas morreram e quase 4 mil estão desaparecidas, dentre elas 639 trabalhadores de usinas hidrelétricas. As equipes de resgate atuam contra o tempo para encontrar operários presos em túneis de até 4 km de extensão, usando máquinas pesadas, drones e cães farejadores, com apoio de especialistas internacionais.

Seis dias depois das violenta enchentes e avalanches que atingiram o Nepal no último dia 26 de agosto, as equipes de resgate enfrentam uma corrida contra o tempo para encontrar centenas de trabalhadores ainda desaparecidos. Segundo dados da Autoridade Nacional para a Redução e Gestão de Risco de Desastres do Nepal, o número de mortos já ultrapassou 900, enquanto a quantidade de desaparecidos subiu para 3.925, com 639 deles diretamente ligados a projetos hidrelétricos na região.

Grandes áreas do Nepal foram afetadas pelas inundações, especialmente o distrito de Rasuwa, próximo à fronteira com o Tibete, região controlada pela China. Ali estão localizadas cerca de 13 usinas hidrelétricas junto aos rios Bhote Koshi e Trishuli, que sofreram danos graves pelas enchentes. A tragédia impactou diretamente instalações essenciais para a produção de energia, deixando muitos trabalhadores possivelmente presos dentro dos túneis estreitos, reforçados e com vários quilômetros de extensão, usados para conduzir a água até as turbinas.

Entre essas usinas, destaca-se a Trishuli-3A, construída entre 2011 e 2019, com um túnel de adução que ultrapassa 4 km de comprimento. Ainda não está claro quantos dos 639 trabalhadores desaparecidos estavam dentro desses túneis no momento da tragédia, nem quantos ainda possam estar vivos. Segundo a agência nacional de desastres do Nepal, pelo menos 933 trabalhadores são considerados desaparecidos em diferentes projetos ao longo do rio Trishuli, mas o número de 639 específicos para usinas foi destacado recentemente pela mesma autoridade.

Para intensificar as operações de busca, as equipes recorreram ao uso de muita tecnologia e recursos modernos, incluindo maquinaria pesada para remoção de escombros, drones para reconhecimento aéreo e cães farejadores treinados. Além disso, explosivos têm sido empregados para abrir caminho em túneis obstruídos pela lama e detritos. O apoio internacional foi acionado, com a participação de especialistas da China, Índia e Coreia do Sul, levando conhecimento técnico e equipamentos para tentar acelerar os resgates.

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Entretanto, os desafios permanecem enormes. O mau tempo torna o acesso às áreas ainda instáveis difícil, enquanto a destruição de estradas e pontes importantes prejudica o deslocamento das equipes e do suporte logístico. Também existe o risco de novos deslizamentos, o que torna a operação delicada para manter a segurança dos socorristas e das vítimas. Fontes oficiais ainda desconhecem o estado dos trabalhadores presos dentro dos túneis, pois as localidades são de difícil acesso e a lama profunda dificulta o uso imediato de equipamentos.

Nos últimos anos, Nepal, Índia e China têm apostado fortemente em projetos hidrelétricos para explorar o potencial energético dos rios do Himalaia, mas a tragédia evidencia os riscos ambientais e humanos envolvidos em áreas montanhosas e remotas. A velocidade e eficiência do resgate podem determinar o número de sobreviventes nos próximos dias, o que tem mobilizado as autoridades e a comunidade internacional em uma ação coordenada diante do desastre.

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O que sabemos?

  • Mais de 900 mortos e 3.925 desaparecidos no Nepal após enchentes e avalanches.
  • 639 dos desaparecidos são trabalhadores vinculados a projetos hidrelétricos na região afetada.
  • As equipes de resgate empregam máquinas pesadas, drones, cães farejadores e explosivos para acessar túneis soterrados por lama.
  • Especialistas da China, Índia e Coreia do Sul ajudam nos trabalhos de busca e resgate.

Fontes

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