Derretimento de geleiras no Himalaia causa alarmes pelas possíveis consequências ambientais
Aquecimento global intensifica instabilidade de formações glaciais nas montanhas do próximo ao mais alto do mundo
Geleiras do Himalaia, que vêm encolhendo há décadas, podem colapsar mais frequentemente com o aumento da temperatura global, colocando populações e ecossistemas em risco.
Segundo informações divulgadas pelo portal Folha de S.Paulo, o derretimento acelerado das geleiras de montanhas, principalmente na região do Himalaia, tem causado crescente preocupação entre cientistas e autoridades ambientais. Essas formações, que se formaram na era do gelo, estão recuando e se tornando mais instáveis, exatamente por conta do avanço do aquecimento global, fenômeno causado principalmente pela queima de combustíveis fósseis, que eleva as temperaturas da Terra.
Ainda segundo a reportagem, a instabilidade das geleiras tem potencial para gerar eventos catastróficos, como avalanches de gelo e rochas, além de represar vales fluviais e liberar ondas de água gigantescas que fluem rio abaixo. Essas ocorrências, muitas vezes de difícil previsão, podem resultar em desastres naturais. Um exemplo recente ainda não oficialmente confirmado, mas citado na reportagem, aponta que uma geleira no Himalaia colapsou na semana passada, provocando o que especialistas chamaram de 'tsunami de montanha', que deixou milhares de pessoas desaparecidas na região do Nepal e do Tibete.
O pesquisador em geomorfologia glacial na Universidade Monash, na Austrália, explicou que o Himalaia não é um ambiente congelado e relativamente estável, como se imagina, mas sim um sistema dinâmico onde geleiras, neve, permafrost, rochas e rios interagem de forma complexa. “À medida que o clima aquece, todos esses componentes mudam em conjunto, aumentando o risco de fluxos de detritos que podem transformar-se em enchentes catastróficas”, afirmou.
O aumento da instabilidade das geleiras também é refletido por dados históricos: há quase 25 anos, uma avalanche de gelo e detritos descendentes ao longo do Cáucaso matou cerca de 125 pessoas, evidenciando como esses eventos podem ser mortais. Ainda segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), as geleiras do Nepal encolheram aproximadamente um terço em 30 anos, o que agrava seu risco de colapsos e desastres ligados ao degelo acelerado que ocorre na região. Assim, mesmo que os países reduzam suas emissões e contenham o aquecimento global em até 2°C, a perda de cobertura glacial no Hindu Kush-Himalaia pode chegar a até metade até o final deste século, de acordo com pesquisadores citados pela Folha.
Diante desse cenário, especialistas alertam que o aumento das temperaturas globais e a instabilidade glaciar representam uma ameaça crescente às populações e aos ecossistemas das regiões montanhosas, além de reforçar a urgência de ações internacionais para combater as mudanças climáticas e monitorar esses eventos de maneira mais eficaz, sobretudo na ausência de sistemas de alerta precoce, que poderiam salvar vidas em futuras catástrofes.
O que sabemos?
- As geleiras do Himalaia estão recuando e se tornando mais instáveis devido ao aquecimento global.
- Eventos de colapso glaciar podem desencadear avalanches, enchentes e tsunamis de montanha.
- Na semana passada, uma geleira no Himalaia teria colapsado, causando desaparecimentos na região do Nepal e Tibete.
- A ONU indica que as geleiras nepalesas encolheram um terço em 30 anos.
- Mesmo com limitações nas emissões, a perda de gelo na região pode atingir até metade até o final do século.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa



