Setor industrial paulista sente impacto de tarifas dos EUA e enfrenta queda em pedidos
Pesquisa da Fiesp revela perdas expressivas nas exportações para os Estados Unidos após aumento das tarifas americanas
Estudo com 174 indústrias aponta que cerca de 70% das empresas do setor paulista que exportam para os EUA já registraram queda nos pedidos, e muitas precisaram ajustar preços e margens para enfrentar o aumento tarifário.
Cerca de 70% das indústrias paulistas de transformação que exportam para os Estados Unidos enfrentam perda nos pedidos devido ao aumento das tarifas americanas, aponta levantamento da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A pesquisa, que ouviu 174 empresas exportadoras, mostra que em 42,9% dos casos a queda no volume de pedidos ultrapassou 25%.
Segundo a Fiesp, a elevação das tarifas inclui um aumento inicial de 25% e outro adicional de 12,5% sobre esta alíquota, totalizando uma taxa de 37,5% aplicada a uma série de produtos brasileiros. Esta medida foi oficializada pelo governo dos EUA após recomendação do Escritório do Representante Comercial norte-americano - o USTR -, em uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.
Para tentar contornar o impacto dessas tarifas, as indústrias adotaram diversas estratégias. Cerca de 28,6% reduziram as próprias margens, absorvendo parte do custo extra, enquanto 26,2% optaram por manter os preços e repassar o aumento para os consumidores americanos. Além disso, 41,4% das empresas reduziram o uso da capacidade instalada e passaram a negociar preços com os clientes afetados.
Outro efeito importante da alta tarifária foi sobre os investimentos: 31% das empresas suspenderam ou adiaram investimentos, o que pode afetar o crescimento e inovação do setor no médio prazo. No entanto, 55,2% dos respondentes afirmaram que não houve alteração no quadro de funcionários, apesar da retração nos pedidos e na produção.
Os dados levantados pela Fiesp representam, até o momento, a única fonte disponível e ainda não foram confirmados por outras entidades ou pelo governo. A pesquisa reforça a relevância da indústria paulista no comércio com os Estados Unidos e o impacto que políticas tarifárias externas podem provocar no cenário nacional, trazendo desafios significativos para a manutenção da competitividade e estabilidade do setor.
O que sabemos?
- 70% das indústrias paulistas exportadoras aos EUA registraram queda nos pedidos após aumento das tarifas americanas
- Em 42,9% das empresas, a redução dos pedidos foi superior a 25%
- Tarifas aplicadas incluem 25% inicial e mais 12,5% adicional, totalizando 37,5% em produtos brasileiros
- 31% das empresas suspenderam ou adiaram investimentos devido ao impacto tarifário
Fontes
- CNN Brasil imprensa



