Economia

Orçamento de 2027: entenda por que governo e mercado não concordam sobre a economia

Em apuração ?

Previsões divergem principalmente na projeção do crescimento do PIB e impacto nas contas públicas

Gráficos mostrando projeções econômicas divergentes para 2027
Imagem: CNN Brasil

O Projeto de Lei Orçamentária de 2027 prevê superávit primário estreito e crescimento econômico maior do que o estimado pelo mercado financeiro, gerando questionamentos sobre a viabilidade das metas fiscais.

O governo federal apresentou na última segunda-feira (31) o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, prevendo despesas primárias de R$ 2,83 trilhões, receitas de R$ 3,459 trilhões e um superávit primário de R$ 18,6 bilhões, o que representa 0,13% do Produto Interno Bruto (PIB). No entanto, essa previsão já enfrenta críticas do mercado financeiro devido à divergência na estimativa de crescimento econômico para o próximo ano.

Segundo a analista de Economia Débora Oliveira, durante o programa Live CNN nesta terça-feira (1º), "o ponto central de divergência entre o governo e o mercado financeiro está na projeção de crescimento econômico". Enquanto o governo prevê uma expansão de 2,46% do PIB em 2027, o mercado estima um crescimento mais modesto, de apenas 1,5%. Débora ressaltou que o orçamento apresentado é uma projeção e não representa dinheiro já disponível em caixa.

Essa diferença no cenário econômico projetado tem consequências diretas sobre as contas públicas previstas no PLOA. Para alcançar o superávit primário de R$ 18,6 bilhões, o governo precisa de um crescimento robusto, que permita manter a arrecadação elevada. "Para chegar nesse superávit, o governo precisa bater um PIB para conseguir manter a arrecadação lá em cima e conseguir sobrar esse dinheiro", explicou a analista. Ela ainda destacou que o valor corresponde a uma margem bastante estreita, como economizar menos de 60 centavos para cada R$ 100 gastos.

Outro ponto importante da análise de Débora Oliveira é a rigidez do orçamento federal: dos R$ 2,83 trilhões em despesas previstas, cerca de R$ 2,5 trilhões são destinados a gastos obrigatórios, como previdência social, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e salários públicos, que não podem ser facilmente reduzidos. Essa rigidez limita a flexibilidade para cortes de gastos e dificulta ajustes caso as receitas não atinjam as metas.

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O que sabemos?

  • Governo federal apresentou o PLOA de 2027 com previsão de R$ 2,83 trilhões em despesas primárias e superávit primário de R$ 18,6 bilhões.
  • Crescimento econômico previsto pelo governo é de 2,46%, enquanto o mercado estima 1,5%.
  • Metade das despesas do orçamento são obrigatórias, como previdência, BPC e salários.
  • Superávit previsto é muito estreito, aumentando o risco diante de estimativa elevada no PIB.

Fontes

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