Ciência

Ronronar dos gatos pode ter influência física no organismo, mas ainda é hipótese

Em apuração ?

Estudos indicam que as vibrações do ronronar se sobrepõem a frequências usadas para estimular ossos, mas efeito terapêutico não está comprovado

Gato ronronando close-up
Imagem: Olhar Digital

Pesquisas científicas observaram que o ronronar dos felinos emite frequências entre 25 e 150 Hz, próximas de vibrações mecânicas capazes de afetar tecidos ósseos em experimentos com animais. Apesar disso, não há confirmação de que o som tenha função curativa nos gatos.

O ronronar dos gatos chamou atenção da ciência não apenas pelo charme característico, mas pela possibilidade de exercer uma função física no organismo do próprio animal. A bioacústica, área que estuda sons produzidos por seres vivos, levantou a hipótese de que essas vibrações sonoras poderiam auxiliar na saúde dos ossos e tecidos dos felinos. No entanto, até o momento, não há comprovação científica de que o ronronar trate fraturas ou acelere a recuperação dos tecidos.

Em um estudo apresentado em 2001 por Elizabeth von Muggenthaler, foram registrados 44 felídeos diferentes, incluindo gatos domésticos, guepardos, jaguatiricas, pumas e servais. A pesquisadora constatou que todos os animais avaliados produziam ronronados com frequências que variavam entre 25 e 150 Hz. Essa faixa despertou interesse porque algumas frequências semelhantes também aparecem em pesquisas focadas no efeito das vibrações mecânicas sobre tecidos biológicos.

Por exemplo, um experimento publicado na revista Nature em 2001 por cientistas da State University of New York at Stony Brook e da Colorado State University expôs as patas traseiras de ovelhas adultas a vibrações de baixa magnitude e alta frequência — especificamente a 30 Hz — durante um ano. O resultado foi um aumento de 34,2% na densidade óssea do fêmur em comparação com animais que não foram submetidos ao estímulo.

Outro estudo, realizado com 76 coelhos que sofreram fraturas, mostrou que vibrações nas frequências de 25 e 50 Hz foram mais eficazes na recuperação dos ossos. Esses achados indicam que certas frequências podem influenciar positivamente o tecido ósseo em modelos animais, mas não comprovam que o ronronar dos gatos cause efeitos semelhantes.

É importante destacar que nos experimentos citados foram controlados parâmetros como frequência, intensidade e tempo de exposição, condições que não necessariamente se replicam durante o ronronar natural dos gatos. Além disso, o som do ronronar nem sempre é sinal de bem-estar — ele também pode ocorrer quando o animal está com dor, medo ou ferimentos graves, o que complica interpretações simplistas sobre seu significado.

Publicidade

O que sabemos?

  • O ronronar dos gatos emite frequências entre 25 e 150 Hz, faixa que coincide com vibrações que podem influenciar tecidos ósseos em experimentos com animais.
  • Estudos com ovelhas e coelhos mostraram que vibrações mecânicas em frequências semelhantes podem aumentar a densidade óssea e acelerar a recuperação óssea.
  • Ainda não há comprovação científica de que o ronronar dos gatos tenha efeito terapêutico semelhante nos próprios animais.
  • Nos estudos sobre vibrações mecânicas, os parâmetros de frequência, intensidade e tempo foram controlados, o que não ocorre necessariamente no ronronar natural dos gatos.
  • O ronronar pode ocorrer em situações de bem-estar, mas também em momentos de dor, medo ou ferimentos, indicando múltiplas interpretações para esse som.

Fontes

Publicidade