Ciência

Por que os bebês bocejam ainda na barriga da mãe?

Em apuração ?

Estudo recente avança em um mistério antigo da gestação envolvendo movimentos fetais captados por ultrassom

Ultrassom mostrando feto bocejando
Imagem: Superinteressante

O fenômeno dos bocejos fetais intriga cientistas, que ainda buscam entender sua função e ocorrência durante a gestação humana, conforme pesquisa de 2026 publicada na Plos.

Os bocejos dos bebês dentro do útero são um mistério que intriga cientistas há muito tempo. Embora todos os vertebrados — incluindo peixes, pássaros e mamíferos — apresentem esse comportamento, a explicação para por que os fetos humanos bocejam ainda é desconhecida, aponta uma matéria da Superinteressante. Os primeiros bocejos podem ser detectados a partir da 11ª semana de gestação, mas estudar esse fenômeno é desafiador, pois só pode ser observado por meio de ultrassonografia.

Segundo a reportagem, para que pesquisadores identifiquem os bocejos fetais, é necessário acompanhar os movimentos dos fetos durante períodos prolongados e diversas sessões, levando em conta a idade gestacional e características das mães. Além disso, há dificuldade até na definição do que configura um bocejo, já que o feto se mexe de diferentes maneiras no útero. Isso dificulta distinguir um bocejo verdadeiro de um simples alongamento ou movimento aleatório da boca.

Mesmo fora do útero, a função dos bocejos é alvo de debates. A teoria mais difundida, a de que os bocejos ajudam a oxigenar o cérebro, enfrenta questionamentos, uma vez que pessoas continuam bocejando mesmo em ambientes ricos em oxigênio ou diante de outros estímulos, como o bocejo contagioso provocado pela visão ou audição do movimento. Além da sonolência, fatores como estresse, fome, dor, excitação e regulação da temperatura corporal também podem influenciar a frequência dos bocejos, o que complica ainda mais o entendimento de sua função intrauterina.

Conforme destaca a matéria da Superinteressante, o bocejo fetal é uma incógnita para muitas dessas teorias, pois não parece fazer sentido que ele sirva para regular temperatura ou sinalizar sono, por exemplo. Um avanço recente nessa área foi um estudo publicado em fevereiro de 2026 na revista Plos, que analisou os bocejos de 32 fetos saudáveis. Ainda não foram confirmadas oficialmente as conclusões desse estudo e outros pesquisadores devem se manifestar para validar os achados.

Por ora, o fenômeno continua um ponto cego na ciência, reforçando que o desenvolvimento humano, mesmo antes do nascimento, reserva muitos enigmas para serem desvendados. Entender os bocejos fetais pode ajudar a esclarecer aspectos do desenvolvimento neurológico e fisiológico durante a gestação, com possíveis impactos no acompanhamento pré-natal.

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O que sabemos?

  • Bocejos fetais podem ser detectados a partir da 11ª semana de gestação.
  • O fenômeno só pode ser observado por ultrassom e é difícil de definir com precisão.
  • A função dos bocejos, intrauterinos ou não, ainda não é consensual entre os cientistas.
  • Um estudo recente de 2026 analisou 32 fetos e trouxe novos dados sobre o tema.

Fontes

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