Fim da escala 6x1 pode transformar jornada de trabalho no Brasil
Proposta será votada no Senado; texto prevê jornada de 40 horas semanais distribuídas em cinco dias
A PEC que acaba com a escala 6x1, estabelecendo 40 horas semanais em cinco dias e dois de descanso, avançou na Câmara e será votada pelo Senado. Polêmica envolve apoio e críticas à mudança constitucional da jornada de trabalho.
A proposta que elimina a tradicional escala 6x1 no Brasil — aquela em que o trabalhador tem direito a apenas um dia de descanso após seis jornadas — está prestes a ser decidida no Senado. Na próxima quarta-feira (2), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado deve analisar o texto, que já foi aprovado em dois turnos na Câmara dos Deputados e prevê uma jornada máxima de 40 horas semanais distribuídas em cinco dias de trabalho e dois dias de descanso, sem redução salarial.
De acordo com o texto, fruto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, inicialmente apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), a jornada poderia ser reduzida gradualmente de 44 para 36 horas semanais ao longo de 10 anos. Paralelamente, a PEC 8/2025, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), propunha uma escala 4x3 — quatro dias de trabalho seguidos de três dias de descanso. Durante a tramitação na Câmara, essas duas propostas foram reunidas e o deputado Léo Prates atuou como relator, elaborando o texto unificado.
Segundo Léo Prates, a redução gradual da jornada é necessária para que as empresas tenham tempo de se adaptarem às novas regras. Ele conquistou apoio importante, inclusive do presidente da Câmara, Hugo Motta, e do relator da PEC na CCJ do Senado, Omar Aziz (PSD-AM), que defende aprovar o texto sem alterações. Na votação da Câmara, o texto teve ampla maioria: 472 votos a favor e 22 contra no primeiro turno; e 461 a favor e 19 contra no segundo.
Apesar do apoio majoritário, a proposta enfrenta resistência. Algumas críticas são dirigidas ao fato de a mudança ser feita através de uma emenda constitucional, o que altera a Constituição Federal, e não por legislação infraconstitucional comum. Além disso, parlamentares que votaram contra alertam para os impactos econômicos e operacionais da mudança, embora esses argumentos ainda estejam em debate e sem consenso.
Até o momento, segundo informações divulgadas pelo G1 que ainda não foram confirmadas oficialmente por outras fontes, não há indicativos claros sobre modificações no texto durante a votação no Senado. A próxima etapa será decisiva para o futuro da jornada 6x1 e pode estabelecer novos paradigmas para os trabalhadores brasileiros, impactando diretamente rotina e qualidade de vida no ambiente laboral.
O que sabemos?
- A PEC que acaba com a escala 6x1 será votada no Senado em 2 de agosto.
- O texto foi aprovado pela Câmara com ampla maioria: 472 a favor e 22 contra no primeiro turno.
- A proposta estabelece jornada de 40 horas semanais, divididas em cinco dias de trabalho, sem redução salarial.
- Relatores na Câmara e Senado defendem aprovação do texto sem alterações, mas há críticas à forma de mudar a Constituição.
Fontes
- G1 imprensa





