Conservadorismo cresce no Brasil, aponta fundador do Quaest
Felipe Nunes comenta avanço da direita e mudanças na autodeclaração política dos brasileiros
Segundo o cientista político Felipe Nunes, a parcela da população que se identifica como de direita quase dobrou desde 2002, refletindo uma sociedade mais tradicionalista e conservadora.
O Brasil tem se tornado um país cada vez mais conservador, com um crescimento expressivo da parcela do eleitorado que se identifica como de direita. A análise é de Felipe Nunes, cientista político e fundador do instituto de pesquisas Quaest, que participou no último dia 1º do programa Provoca, apresentado por Marcelo Tas. Durante o programa, ele avaliou o cenário político e social a partir de seu livro "Brasil no Espelho", que propõe um guia para entender o pensamento dos brasileiros.
Segundo Felipe Nunes, "somos mais conservadores" e, ao olhar para o país, percebe-se refletido "uma sociedade mais tradicionalista, mais conservadora e que se diz mais de direita". O pesquisador explicou que um dos fatores que contribuem para esse avanço é o que ele chama de "calcificação" do Brasil — um processo que parece indicar o endurecimento de posições ideológicas ao longo dos últimos anos.
Em termos numéricos, Nunes apontou que em 2002 cerca de 20% da população brasileira se declarava de direita. Atualmente, esse número subiu para perto de 35%. Já o percentual daqueles que se identificam com valores de esquerda manteve-se relativamente estável, em torno de 23%, com algumas variações positivas especialmente durante os primeiros mandatos do ex-presidente Lula.
Outro dado que chama atenção é a queda no número de pessoas que não sabiam ou não se definiram politicamente. Em 2002, aproximadamente 20% dos entrevistados respondiam "não sei" quando questionados sobre sua posição política. Hoje, esse índice caiu para cerca de 4%, indicando uma maior clareza ou posicionamento por parte do eleitorado brasileiro, segundo o pesquisador.
Essas informações foram divulgadas exclusivamente pelo portal UOL Notícias e ainda não foram confirmadas por outras fontes ou pelo instituto Quaest, que não se pronunciou oficialmente sobre os números apresentados durante o programa. Ainda assim, o levantamento provoca reflexões sobre a crescente polarização e as transformações ideológicas no Brasil nas últimas décadas.
O que sabemos?
- Em 2002, cerca de 20% dos brasileiros se diziam de direita, índice que subiu para 35% atualmente.
- Percentual de pessoas que se identificam com a esquerda ficou próximo de 23%, com variações nos primeiros governos Lula.
- Número de brasileiros que não se definia politicamente caiu de 20% para 4%.
- O avanço do conservadorismo é atribuído a um processo de "calcificação" da sociedade brasileira.
Fontes
- UOL Notícias imprensa





