Exposição na Pinacoteca revela múltiplas faces de Ismael Nery, artista modernista
Retrospectiva apresenta autorretratos que exploram identidade e linguagem artística
A Pinacoteca de São Paulo inaugura neste sábado uma grande exposição dedicada a Ismael Nery, que desafia rótulos e expõe a complexidade de um artista que transparece experimentar diferentes linguagens e identidades.
Na manhã deste sábado, a Pinacoteca de São Paulo abriu as portas para a exposição "Armadilha Moderna", uma retrospectiva que reúne 230 obras de Ismael Nery, um dos nomes mais intrigantes do modernismo brasileiro. Segundo a curadoria, a mostra busca desmontar as interpretações convencionais sobre o artista, evidenciando sua busca constante por linguagem e identidade.
Filho de Belém, Nery morreu aos 33 anos no Rio de Janeiro, deixando uma obra marcada por autorretratos que desafiam a rigidez de gêneros e identidades. Segundo o curador da mostra, Yuri Quevedo, a produção do artista é uma "armadilha": cada tentativa de enquadramento revela-se um novo desvio, uma nova exploração estética. A exposição apresenta trabalhos de diferentes fases, desde desenhos e pinturas até obras que medem as experimentações do artista com cubismo, surrealismo e elementos queer, além de retratos de figuras como a escritora Adalgisa Nery e o poeta Murilo Mendes.
Entre as obras em destaque está a pintura "João Batista", que data de 1928-1929, e retrata um corpo andrógino com traços que misturam o masculino e o feminino. Segundo a Folha de S.Paulo, grande parte da produção de Nery foi orientada por referências religiosas, o que também se revela em trabalhos como "Adão e Eva". O artista, além de pintor, atuou também como colaborador na arquitetura neocolonial, movimento que buscava uma expressão brasileira a partir do colonialismo, o que reforça a ideia de que Nery, muitas vezes visto como um outsider, tinha uma relação mais complexa com as questões nacionais.
A própria narrativa da exposição aponta que, diferente de outros artistas brasileiros daquela época, cujo foco era a natureza ou a identidade indígena e negra, Nery trabalhava com personagens, edifícios e tipos sociais em suas aquarelas, muitas vezes retratando a cidade e seu ambiente urbano. Segundo o curador, essa abordagem mostra uma faceta de Nery que dialoga com o contexto brasileiro, mesmo que sua obra não seja facilmente enquadrável em um rótulo fixo de estilo ou movimento artístico.”
Essa tentativa de colocar Nery em caixinhas é justamente o que a curadoria busca questionar, afirmando que, na arte dele, há uma constante troca e transformação, o que o torna uma figura única no panorama do modernismo. Ainda não há confirmação se a exposição revela algum aspecto novo ou inédito sobre sua vida, mas o que é certo é que Nery continua provocando interpretações diversas, alimentando o debate sobre o que é ser um artista moderno além de rótulos tradicionais.
O que sabemos?
- Exposição "Armadilha Moderna" na Pinacoteca de São Paulo apresenta 230 obras de Ismael Nery
- A mostra busca desmontar a ideia de Nery como um artista convencional, destacando sua experimentação e múltiplas identidades
- Nery morreu aos 33 anos, no Rio de Janeiro, e deixou uma produção marcada por autorretratos que exploram a androginia e a religiosidade
- Além de pintor, trabalhou com arquitetura neocolonial, envolvendo-se em debates sobre identidade cultural brasileira
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa
- UOL Notícias imprensa




