Estudo revela que diferentes espécies de abelhas veem o mundo de maneiras surpreendentemente distintas
Pesquisa aponta que abelhas solitárias podem ter uma visão mais nítida que as sociais
Novas pesquisas mostram que espécies de abelhas solitárias possuem habilidades visuais superiores às abelhas melíferas em alguns aspectos, o que pode inspirar avanços tecnológicos.
Segundo uma pesquisa divulgada pela Folha de S.Paulo, espécies de abelhas que vivem sozinhas, e não em grandes colônias, demonstraram ter capacidades visuais impressionantes, muitas vezes superiores às das conhecidas abelhas melíferas. Enquanto estas últimas são famosas por seu desempenho visual na busca de rainhas durante o voo de acasalamento, o novo estudo aponta que algumas espécies solitárias, pouco estudadas até agora, possuem olhos capazes de formar imagens mais nítidas e detectar objetos minúsculos com maior eficiência. Essas diferenças entre as espécies refletem suas adaptações a ambientes e estilos de vida distintos, como a busca por alimentos em vegetações densas, ambientes abertos ou até à noite. Segundo a pesquisadora de biologia sensorial na Universidade de Lund, na Suécia, estas variações são resultado de evoluções que favorecem estratégias distintas de sobrevivência. A pesquisa destaca, por exemplo, que as abelhas cardadoras machos, que patrulham territórios e perseguem rivais ou parceiras, possuem olhos com fotorreceptores extremamente pequenos, o que reduz o desfoque e aumenta a nitidez. Já as abelhas melíferas tendem a ter lentes maiores, que maximizam a sensibilidade à luz, facilitando a detecção de objetos em diferentes condições. Além disso, a australiana abelha-de-faixa-azul consegue enxergar com alto grau de nitidez mesmo sem recorrer às estratégias extremas de outras espécies, demonstrando um equilíbrio surpreendente. Ainda que essa pesquisa esteja baseada em observações de espécies específicas e ainda aguarde confirmações de outras fontes, ela abre possibilidades de aplicação na tecnologia, como o desenvolvimento de sensores visuais avançados para robôs e dispositivos que se inspirem na evolução visual dessas abelhas. A diversidade de mais de 20 mil espécies de abelhas no mundo reflete adaptações a variados habitats, o que explica a variedade de habilidades visuais observadas. Assim, entender as diferentes formas como esses insetos percebem o mundo pode ensinar não só a compreensão da biologia evolutiva, mas também orientar inovações tecnológicas de grande impacto.
O que sabemos?
- Espécies de abelhas solitárias têm capacidade visual superior a algumas abelhas sociais.
- Abelhas machos de espécies específicas usam olhos altamente sensíveis para detectar objetos pequenos.
- Abelhas melíferas possuem lentes grandes que aumentam a sensibilidade à luz.
- A pesquisa foi conduzida na Universidade de Lund, na Suécia, e divulgada recentemente.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa



