Brasil

Caminhada relembra trajetória de Luiz Gama no centro de São Paulo 144 anos após sua morte

Em apuração ?

Grupo refaz percurso histórico do cortejo fúnebre do abolicionista que libertou centenas de escravizados no século XIX

Grupo de pessoas caminhando pelo centro de São Paulo em homenagem a Luiz Gama
Imagem: Folha de S.Paulo

No último domingo (30), cerca de 50 pessoas percorreram locais emblemáticos ligados à vida e à luta de Luiz Gama, advogado, poeta e abolicionista negro, que morreu em 1882 em São Paulo. O evento resgata a memória do funeral que reuniu milhares de pessoas na época.

Na tarde do último domingo, um grupo de 50 pessoas reuniu-se no centro de São Paulo para refazer o trajeto do cortejo fúnebre do advogado e jornalista Luiz Gama, figura central do abolicionismo brasileiro. O percurso recontou o caminho que, em 24 de agosto de 1882, levou seu corpo do bairro do Brás até o cemitério da Consolação, em um funeral que ficou marcado pela participação de aproximadamente 3 mil pessoas, número correspondente a cerca de 10% da população da capital paulista na época.

Luiz Gama, cujo falecimento aconteceu provavelmente em decorrência de complicações da diabetes, é celebrado por sua trajetória notável — ele nasceu escravizado, mas conquistou sua liberdade ainda jovem. Tornou-se escrivão de polícia, jornalista, dono de jornal, poeta e advogado autodidata que usava com maestria os recursos legais para resgatar pelo menos 500 pessoas do cativeiro da escravidão no século XIX, segundo relatos históricos.

O cortejo realizado no domingo (30) passou por pontos significativos da cidade que marcaram a vida e o trabalho de Gama, como a praça da Sé e o Fórum João Mendes, até chegar ao seu túmulo no cemitério da Consolação, onde repousa sua memória. A reconstituição teve como intuito principal a valorização da história de um homem que dedicou sua vida à luta pela abolição no Brasil, falecendo seis anos antes da assinatura da Lei Áurea, em 1888.

A importância do evento fica evidenciada também na crônica publicada pelo escritor Raul Pompeia, contemporâneo de Gama, que descreveu o impacto da morte na cidade de São Paulo: "A cidade estava triste", escreveu ao narrar o cortejo de 1882 na Gazeta de Notícias. A caminhada de 2023 presta homenagem a esse legado, resgatando não só o percurso físico, mas também a memória de um dos maiores nomes da resistência negra e do movimento abolicionista no país.

Até o momento, a informação sobre a caminhada foi divulgada pela Folha de S.Paulo e não há confirmação oficial de outras fontes. Ainda assim, o evento já chama atenção pelo resgate histórico e pela reverência à história brasileira pouco ensinada nas escolas, destacando a luta de Luiz Gama e seu impacto ainda presente na sociedade paulista e brasileira.

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O que sabemos?

  • Luiz Gama morreu em 24 de agosto de 1882, vítima provável de complicações de diabetes.
  • Seu funeral em São Paulo contou com cerca de 3 mil pessoas, representando 10% da população da cidade.
  • Ele libertou pelo menos 500 pessoas da escravidão usando os recursos da lei no século 19.
  • No dia 30 de julho de 2023, um grupo de 50 pessoas refez o trajeto do funeral, passando por locais históricos ligados à sua vida.

Fontes

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