Prefeitura do Rio avalia apoio a parque bíblico com templo de 7 mil lugares
Projeto inclui estruturas para práticas religiosas e está estimado em R$ 190 milhões
Prefeitura do Rio sinaliza apoio ao projeto do parque Terra Prometida, que inclui a construção de um templo para 7 mil pessoas, mas ressalta que a administração não será responsável pela obra do templo.
A Prefeitura do Rio de Janeiro está disposta a apoiar a construção do parque Terra Prometida, um complexo bíblico apresentado pela gestão municipal em março. Segundo fonte ligada ao projeto, a prefeitura pode contribuir com o parque, mas não se compromete a construir o templo de 7.000 lugares que está previsto na iniciativa.
O projeto do parque, detalhado em documento oficial da Prefeitura, contempla um espaço com elementos temáticos como a pia batismal, o Monte Sinai e o Mar Vermelho, todos símbolos profundamente ligados a práticas religiosas cristãs. A etapa seguinte de implantação dessa obra está orçada em cerca de R$ 190 milhões, valor que inclui a construção do templo destinado a receber até 7 mil fiéis.
Em anúncio feito em março, o então prefeito Eduardo Paes, que atualmente concorre ao governo do Rio de Janeiro pelo PSD, definiu esse espaço como “um espaço dedicado à propagação e ao exercício da fé”. Essa dimensão ativa e prática da religiosidade é uma diferença importante em relação a outras manifestações simbólicas que já tiveram seus limites analisados no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em decisão unânime tomada em 2024, o STF assentou que a exposição de crucifixos em tribunais não fere o princípio da laicidade do Estado, desde que o objetivo seja expressar a tradição cultural brasileira e não impor crença religiosa. Os magistrados explicaram que símbolos estáticos, como crucifixos pendurados em paredes, não realizam atos religiosos como batismos ou cultos, nem exigem a adesão ou renúncia à fé por parte dos frequentadores dessas instituições.
Porém, a proposta do parque Terra Prometida se diferencia porque envolve estruturas para práticas efetivas da fé, como a pia batismal, que só possui uso religioso. Estes elementos traduzem não apenas a exibição de símbolos, mas a promoção do exercício da religião, o que pode levantar questionamentos sobre a fronteira entre Estado e religião.
A informação sobre o apoio da prefeitura à construção do parque, mas não do templo, foi divulgada inicialmente pelo portal UOL Notícias e ainda não foi confirmada por outras fontes oficiais nem houve pronunciamento formal dos responsáveis pelo empreendimento.
Esse projeto traz à tona debates fundamentais sobre a relação entre o setor público e manifestações religiosas em espaços de uso comum, bem como a definição da laicidade do Estado em ações governamentais voltadas a manifestações culturais e de fé.
O que sabemos?
- Prefeitura do Rio pode apoiar o parque Terra Prometida, mas não a construção do templo.
- Templo projetado teria capacidade para 7.000 pessoas e custaria cerca de R$ 190 milhões.
- Supremo Tribunal Federal decidiu que símbolos religiosos estáticos não violam a laicidade se representarem tradição cultural.
- Projeto inclui práticas religiosas explícitas, como pia batismal, o que difere de simples símbolos estáticos.
Fontes
- UOL Notícias imprensa




