Caminhada reconta trajetória de Luiz Gama pelo centro de São Paulo
Grupo de 50 pessoas refaz percurso do cortejo fúnebre do abolicionista 144 anos após sua morte
No dia 30 de agosto de 2026, seguidores de Luiz Gama realizaram uma caminhada pelos locais históricos da capital paulista ligados à vida e à luta do advogado e jornalista negro, que libertou centenas de escravizados no século 19.
Na tarde do último domingo (30), um grupo de 50 pessoas reuniu-se para refazer a caminhada de 1882 que marcou o cortejo fúnebre do advogado, jornalista e abolicionista Luiz Gama, figura emblemática na luta contra a escravidão no Brasil. O trajeto percorreu lugares históricos no centro de São Paulo, como a praça da Sé, o Fórum João Mendes e o cemitério da Consolação, onde repousa o pequeno túmulo de Gama.
Luiz Gama faleceu em 24 de agosto de 1882, provavelmente devido a complicações relacionadas à diabetes, conforme relato do escritor Raul Pompeia (1863-1895) em crônica publicada na Gazeta de Notícias. Pompeia começou seu texto com uma frase que transmite a tristeza do momento: “Por volta das três horas e meia do dia 24 entrou-me pela casa um amigo: - ‘Sabes?’ disse bruscamente, ‘o Luiz Gama morreu! – Sério, tristemente sério, afirmou-me o amigo.”
Além de homem que conseguiu sua liberdade da escravidão, Luiz Gama teve uma carreira admirável como escrivão de polícia, jornalista, dono de jornal, poeta, advogado autodidata e incansável abolicionista. Segundo o mesmo relato, ele libertou legalmente pelo menos 500 pessoas escravizadas, utilizando apenas os recursos da lei para criar esse impacto social.
O funeral de Luiz Gama, ocorrido há 144 anos, saiu do bairro do Brás, onde ele morava, até o cemitério da Consolação, reunindo cerca de 3 mil pessoas, o que representava cerca de 10% da população de São Paulo na época, um número expressivo que demonstra a importância do ativista para a cidade e o país.
A iniciativa recente do grupo que refez a caminhada é uma forma de manter viva a memória do personagem e reencontrar seus passos pelos becos e avenidas da capital. Com essa ação, não só a trajetória de Luiz Gama é resgatada, mas a cidade é relembrada em sua transformação social e histórica, o que reforça o reconhecimento de sua luta por justiça e igualdade.
O que sabemos?
- Luiz Gama morreu em 24 de agosto de 1882, provavelmente por complicações de diabetes.
- Seu cortejo fúnebre reuniu cerca de 3 mil pessoas e percorreu do Brás ao cemitério da Consolação.
- Ele libertou ao menos 500 pessoas da escravidão usando os meios legais disponíveis.
- No domingo, 30 de agosto de 2026, 50 pessoas refizeram o trajeto em homenagem ao abolicionista.
Fontes
- UOL Notícias imprensa




