Saúde

Sexo por compaixão: o que é e por que preocupa pesquisadoras da saúde sexual feminina

Em apuração ?

Estudo recente aponta que mulheres com Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo mantêm relações sexuais mesmo sem desejo, o que pode afetar resultados de pesquisas clínicas

Mulher pensativa com semblante preocupado
Imagem: CNN Brasil

Pesquisa publicada no Journal of Sex & Marital Therapy identifica que mulheres com TDSH continuam sexualmente ativas mesmo sem desejo. Cientistas alertam para impactos no desenvolvimento de tratamentos eficazes.

Um fenômeno pouco conhecido e ainda pouco discutido pode estar influenciando não apenas a vida íntima de muitas mulheres, mas também a forma como avanços médicos são avaliados. Trata-se do chamado "sexo por compaixão", prática observada em mulheres diagnosticadas com Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (TDSH), caracterizado pela ausência de pensamentos, desejo ou receptividade sexual e que causa sofrimento pessoal.

Segundo o estudo publicado no Journal of Sex & Marital Therapy e divulgado pela CNN Brasil, pesquisadores como Nikita Guptan e James A. Simon analisaram dados de ensaios clínicos e descobriram que essas mulheres ainda mantêm, em média, cerca de 2,5 relações sexuais por mês. O motivo estaria ligado à manutenção da harmonia conjugal ou ao sentimento de obrigação, e não ao prazer ou desejo genuíno.

O estudo alerta que esse comportamento pode trazer consequências para testes científicos relacionados ao tratamento do TDSH, pois pode mascarar a real eficácia das terapias. Isso ocorre porque muitos ensaios clínicos medem o sucesso dos tratamentos a partir da frequência de experiências sexuais satisfatórias, e o "sexo por compaixão" pode distorcer esses dados.

Os autores destacam que essa distorção compromete o cálculo do tamanho das amostras nos testes clínicos e interfere na avaliação da eficácia dos medicamentos. Compreender o aspecto biopsicossocial desse comportamento é fundamental para o desenvolvimento de pesquisas clínicas mais precisas e, consequentemente, para o fornecimento de tratamentos mais adequados às pacientes.

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O que sabemos?

  • O "sexo por compaixão" é praticado por mulheres com TDSH cerca de 2,5 vezes por mês em média.
  • TDSH caracteriza-se pela ausência de desejo sexual e sofrimento pessoal.
  • Pesquisas clínicas medem eficácia de tratamentos a partir da frequência de relações sexuais satisfatórias.
  • O sexo por compaixão pode mascarar a real eficácia dos medicamentos para TDSH.

Fontes

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