Síria inicia a destruição de armas químicas remanescentes da era Assad
Primeira ação desse tipo em uma década é acompanhada por ONU e confirma avanços no desarmamento
A Síria começou a destruir componentes de seu antigo programa de armas químicas, incluindo munições e instalações de produção, após descoberta de restos do arsenal clandestino. A operação marca um passo importante na tentativa de cumprir acordos internacionais e reduzir tensões na região.
De acordo com informações divulgadas nesta quinta-feira por uma fonte do governo sírio e por uma representante da Organização das Nações Unidas (ONU), a Síria iniciou oficialmente o processo de destruição de armas químicas remanescentes de seu programa clandestino, que foi operado durante a era do ex-presidente Bashar al-Assad. Segundo a fonte, os esforços concentram-se na eliminação de materiais e munições que haviam sido recuperados em maio passado, após a liderança síria localizar vestígios do antigo arsenal, incluindo matérias-primas e munições semelhantes às usadas em ataques de gás na guerra civil.
Essa ação representa o primeiro grande avanço no desmonte de armas químicas na Síria em uma década, apontou Izumi Nakamitsu, alta representante da ONU para Assuntos de Desarmamento, durante reunião do Conselho de Segurança. Nakamitsu enfatizou que, "pela primeira vez desde 2014, a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) verificou a destruição de munições químicas na Síria". Ainda de acordo com ela, a equipe da OPAQ foi enviada ao país na semana passada para verificar especificamente a destruição de munições da categoria três, que incluem bombas não preenchidas e outros equipamentos usados na produção de agentes neurotóxicos.
Segundo Nakamitsu, a missão confirmou a destruição irreversível de 42 bombas aéreas, além de detectar uma instalação adicional de produção de armas químicas e uma substância química recém-descoberta, utilizada na fabricação de agentes neurotóxicos. A mesma fonte acrescentou que foram declaradas duas instalações de armazenamento dessas armas, nas quais os novos materiais também estavam sendo guardados. Esses avanços ocorrem num momento de maior atenção internacional para a questão do desarmamento químico na Síria, que ainda enfrenta tensões internas e insistentes questionamentos sobre o compromisso do governo em desativar completamente seu arsenal químico.
Segundo informações não confirmadas oficialmente, as forças sírias lideradas pelos curdos anunciariam a dissolução de parte de seus arsenais, enquanto os Estados Unidos teriam removido a Síria da lista de países que apoiam o terrorismo. Ainda assim, o governo sírio não se pronunciou oficialmente sobre esses pontos, e a atividade de destruição das armas químicas está sendo acompanhada de perto por organismos internacionais, que reforçam a importância de garantir que o processo seja completo e irreversível na prática.
O que sabemos?
- A Síria começou a destruir remanescentes de armas químicas da era Assad.
- A destruição inclui munições e instalações de produção recuperadas em maio.
- Pela primeira vez desde 2014, a OPAQ verificou a destruição de munições na Síria.
- Foram destruídas 42 bombas aéreas, segundo a verificação da OPAQ.
Fontes
- UOL Notícias imprensa
- CNN Brasil imprensa




