Mulheres trans lideram estatísticas de violência contra pessoas trans no Brasil, mostra estudo
Pesquisa aponta que 65,3% das notificações de violência contra pessoas trans entre 2015 e 2023 envolvem mulheres trans
Relatório baseado em dados do Ministério da Saúde destaca violência física como mais frequente e revela perfil predominante das vítimas: jovens adultos, pessoas pardas e baixa escolaridade.
Mulheres trans são as principais vítimas de violência contra pessoas transgênero no Brasil, segundo estudo publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature, divulgado pelo Jornal da USP. Entre 2015 e 2023, elas representaram 65,3% das 45.715 notificações de agressões envolvendo pessoas trans registradas no país.
O estudo, conduzido por pesquisadores da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP, da Universidade Nova de Lisboa e outras instituições, analisou dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), do Ministério da Saúde. O levantamento buscou traçar um panorama detalhado das ocorrências de violência contra pessoas trans no Brasil, identificando onde, quando e como esses incidentes se manifestaram ao longo dos anos.
Além do predomínio de mulheres trans entre as vítimas, o relatório também revelou que adultos jovens correspondem a 36,1% dos casos, pessoas pardas a 44,6%, e indivíduos com baixa escolaridade a 23,6%. Quanto ao tipo de violência, a física foi a mais frequente, aparecendo em 65,9% das notificações. Dos 45.715 registros, 29.549, ou 64,6%, detalham agressões perpetradas por terceiros, enquanto o restante inclui violências autoprovocadas.
Os pesquisadores observaram que as notificações seguem padrões sociais, espaciais e temporais, indicando situações persistentes de vulnerabilidade e discriminação no território brasileiro, e não uma distribuição aleatória dos incidentes. O período estudado começa em 2015, ano em que o sistema de registro passou a identificar adequadamente casos envolvendo pessoas trans, e se estende até 2023, último ano com informações completas disponíveis na data da submissão do artigo.
O que sabemos?
- Mulheres trans representam 65,3% das notificações de violência contra pessoas trans no Brasil entre 2015 e 2023
- Violência física é o tipo mais comum, presente em 65,9% das ocorrências
- Adultos jovens, pessoas pardas e baixa escolaridade são os perfis mais frequentes entre as vítimas
- Dos 45.715 registros, 64,6% são agressões por terceiros; o restante são violências autoprovocadas
Fontes
- Jornal da USP fonte oficial





