Policial

Investigações apontam movimentações financeiras suspeitas de organização ligada ao PCC, envolvendo fintechs e empresários

Em apuração ?

Pagamento de mais de R$ 166 mil a empresa de delator gera novos questionamentos sobre ligações criminosas

Imagem: G1

Empresa ligada a delator recebeu R$ 166,5 mil de fintech usada por empresários sob investigação. Polícia apura se há conexão com grupo ligado ao PCC e outras organizações criminosas.

Segundo fontes do Ministério Público de São Paulo, uma fintech chamada Ceopag, utilizada por empresas suspeitas de manter vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC), realizou um pagamento de R$ 166,5 mil para uma empresa de delator, a EntrePay. Essa movimentação financeira, ainda não confirmada oficialmente, faz parte de uma investigação que busca entender se há ligações entre as operadoras financeiras, empresários investigados e grupos criminosos.

De acordo com o Ministério Público de São Paulo, a EntrePay está relacionada a Antônio Carlos Freixo Júnior, empresário que, em acordo de delação premiada, declarou ter movimentado aproximadamente R$ 1,3 bilhão entre 2020 e 2025 para gerar dinheiro vivo ao extinto Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro. Ainda que essa cifra seja alvo de investigações e não esteja diretamente relacionada ao pagamento de R$ 166,5 mil, ela ajuda a ilustrar o contexto de operações financeiras sob suspeita envolvendo o ambiente empresarial e criminoso.

Segundo a apuração, a Ceopag foi contratada por empresas ligadas ao grupo liderado por Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco. Ambos são considerados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) como líderes de uma organização criminosa no setor de combustíveis que, ainda segundo a investigação, teria conexões com organizações criminosas de maior porte. O pagamento à EntrePay apareceu em uma lista de movimentações atípicas comunicadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que foi usada pelo Ministério Público para embasar um pedido de busca e apreensão.

Nenhuma relação direta foi confirmada até o momento entre esses fatos e contatos pessoais de Freixo com os investigados Mohamad ou Beto Louco, que permanecem sob suspeita por outros crimes e fraudes ligados ao setor de combustíveis. Procuradas, as empresas e os nomes envolvidos ainda não se manifestaram oficialmente. O caso ganhou atenção por evidenciar quanto as operações financeiras podem facilitar o funcionamento de organizações criminosas, incluindo o uso de fintechs — plataformas digitais de pagamento — para movimentar recursos de forma dissimulada.

Segundo informações do Ministério Público, a Ceopag teria substituído parcialmente outra instituição de pagamento, a BK Instituição de Pagamento, no processamento de salários de funcionários de usinas do Grupo Itajobi, que também é apontado como administrado por Mohamad e Beto Louco. A investigação revela ainda que, após o suposto encerramento da relação comercial da Ceopag com algumas empresas, outras instituições do mesmo grupo financeiro, incluindo a America Payment, continuaram operando contratos com as organizações, mantendo a estrutura de pagamentos e operações financeiras. O grupo é acusado de usar empresas de fachada, fundos de investimento e instituições de pagamento para movimentar recursos, esconder os verdadeiros beneficiários e potencialmente fraudar o setor de combustíveis no estado de São Paulo. Ainda não há confirmação formal de que os R$ 166,5 mil recebidos pela EntrePay estejam ligados diretamente a esses esquemas criminosos, mas o caso demonstra a complexidade das investigações que tentam desarticular redes de corrupção e lavagem de dinheiro relacionadas ao crime organizado.

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O que sabemos?

  • Empresa de delator recebeu R$ 166,5 mil de fintech avaliada pelo MP.
  • Pagamento consta em relação de movimentações atípicas comunicadas pelo Coaf.
  • Empresa ligada a delator é a EntrePay, associada a Antônio Carlos Freixo Júnior.
  • A Fintech Ceopag foi usada por empresas investigadas, com suspeitas de ligações com o PCC.

Fontes

  • G1 imprensa
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