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Haddad minimiza classificação do PCC como grupo terrorista: "questão menor"

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Candidato ao governo de São Paulo debate no Roda Viva cooperação internacional e limites da designação americana

Fernando Haddad no programa Roda Viva
Imagem: Folha de S.Paulo

Fernando Haddad afirmou que mais relevante que o rótulo dado aos grupos criminosos é a forma como se combate o crime organizado, ressaltando a importância da cooperação internacional contra o PCC e o Comando Vermelho.

Na segunda-feira (31), o candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) abordou em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, a designação feita pelos Estados Unidos classificando o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Para Haddad, a forma como os grupos são nomeados, seja "máfia", "organização terrorista" ou "facção", é "uma questão menor" diante do desafio de combatê-los de forma eficaz.

Logo no início do programa, o ex-ministro da Fazenda destacou que o PCC possui conexões que ultrapassam as fronteiras de São Paulo e do Brasil, ecoando a decisão dos EUA de tratar o grupo como uma ameaça internacional. "Por isso que os EUA já estão falando de PCC", disse ele. Questionado pelo apresentador Ernesto Paglia, Haddad explicou que para ele o foco deve ser "como você vai trabalhar o combate". Ele citou a Operação Carbono Oculto, que exemplifica o modelo de cooperação internacional — até então exceção — necessário para enfrentar crimes que hoje não são apenas regionais.

"A Operação Carbono Oculto ensinou muito para o Brasil. Ela tem de especial a cooperação, que hoje não é a regra, é a exceção. Hoje os crimes não são mais regionais", afirmou o candidato. Para Haddad, a ausência de uma polícia organizada agrava o combate ao crime, criticando ainda o governo estadual atual: "Promessas de Tarcísio [de Freitas] não foram cumpridas".

Ao ser questionado sobre o potencial militar americano de atuar no Brasil em razão da designação, Haddad relativizou o uso do termo terrorismo e argumentou que este conceito engloba mais do que uma facção criminosa. Segundo ele, "terrorismo, para mim, tem uma ideologia por trás. Não é máfia ou facção que está buscando dinheiro e querendo se infiltrar em negócios legítimos para lavar esse dinheiro roubado de outras áreas". O petista também indicou que a classificação americana teria a intenção de confundir a opinião pública: "Terrorismo é uma outra categoria que inventaram nos EUA com suporte da extrema direita para criar confusão na opinião pública".

A decisão de os EUA rotularem PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas ocorreu em maio e provocou repercussões no Brasil. Além de impulsionar uma corrida entre empresas para evitar impactos financeiros, a medida gerou uma reação do Itamaraty, que avalia que esse processo pode abrir espaço para eventuais intervenções militares americanas no território nacional. Na época, o governo Lula (PT) criticou duramente a classificação, lançando uma nota que acusava adversários políticos: "A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos".

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O que sabemos?

  • Classificação do PCC e CV como organizações terroristas pelos EUA foi anunciada em maio.
  • Fernando Haddad minimizou essa classificação, chamando-a de 'questão menor'.
  • Haddad destacou a importância da cooperação internacional, citando a Operação Carbono Oculto.
  • O Itamaraty alertou que a designação pode abrir brecha para uso de força militar americana no Brasil.

Fontes

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