Policial

Mercado global da cocaína cresce em qualidade e alcance, Brasil aparece como principal origem para Europa

Em apuração ?

Produção quase triplicou desde 2016 e apreensões aumentam em vários continentes

Ilustração do mapa mostrando rotas internacionais do tráfico de cocaína envolvendo Brasil e Europa
Imagem: Folha de S.Paulo

Entre 2016 e 2023, a produção mundial de cocaína quase triplicou e a qualidade da droga no varejo europeu subiu drasticamente, enquanto o Brasil é apontado como principal origem das apreensões na Europa, segundo dados da ONUDC e Euda.

A partir de 2016, o mercado global de cocaína passou por uma transformação com produção, qualidade e apreensões crescendo rapidamente em diferentes regiões do mundo. Segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (ONUDC), a produção anual da droga saltou de cerca de 1.400 toneladas para mais de 4.000 toneladas em 2023, quase triplicando em sete anos. Este aumento impactou diretamente o consumo e o mercado internacional, que também viram mudanças expressivas na qualidade e no preço da cocaína.

Na Europa, as apreensões realizadas pela Agência da União Europeia sobre Drogas (Euda) multiplicaram-se por seis entre 2016 e 2023. Paralelamente, a pureza da cocaína vendida no varejo subiu de 45% para quase 80% na França, enquanto o preço caiu cerca de 25%, conforme dados do Observatório Francês de Drogas e Tendências de Dependência (OFDT). Essa combinação de maior oferta, melhor qualidade e queda nos preços impulsionou o aumento do consumo no continente.

Outras regiões também registraram forte alta nas apreensões. Em Hong Kong, Japão e Coreia do Sul, as ações policiais aumentaram cinco vezes entre 2016 e 2024, segundo dados das polícias, Justiça e alfândegas locais. Na África, os números cresceram mais de 20 vezes, de acordo com relatório da ONUDC. Já na Austrália, as apreensões triplicaram, segundo a Comissão Australiana de Inteligência Criminal (Acic).

O Brasil é apontado desde 2019 pela Euda como a principal origem das apreensões de cocaína na Europa. Desde 2022, há estudos sobre a inserção internacional do Primeiro Comando da Capital (PCC) no tráfico de cocaína, envolvendo países da América do Sul até a Europa, com resultados iniciais divulgados pelo jornal Folha de S.Paulo.

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O que sabemos?

  • A produção global anual de cocaína quase triplicou de 2016 a 2023, de cerca de 1.400 toneladas para mais de 4.000 toneladas (ONUDC).
  • Entre 2016 e 2023, as apreensões na Europa cresceram seis vezes (Euda).
  • Na França, a pureza da cocaína no varejo subiu de 45% para quase 80%, enquanto o preço caiu cerca de 25% no mesmo período (OFDT).
  • Em Hong Kong, Japão e Coreia do Sul, as apreensões quintuplicaram entre 2016 e 2024 (dados de polícias, Justiça e alfândegas nacionais).
  • Na África, as apreensões aumentaram mais de 20 vezes (ONUDC).
  • Na Austrália, as apreensões triplicaram (Acic).
  • Desde 2019, o Brasil é indicado pela Euda como principal origem das apreensões de cocaína na Europa.
  • Desde 2022, há pesquisas em andamento sobre a inserção internacional do PCC no tráfico de cocaína, abrangendo países da América do Sul até a Europa.

Fontes

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