Policial

Como a assinatura geológica do ouro ajuda a Polícia Federal a combater o garimpo ilegal

Informações checadas ?

Programa Ouro Alvo identifica a origem do ouro apreendido para diferenciar comércio legal e ilegal

Análise de ouro apreendido pela Polícia Federal no Instituto Nacional de Criminalística
Imagem: Folha de S.Paulo

A Polícia Federal utiliza características químicas e geológicas para rastrear a origem do ouro apreendido no Brasil, permitindo ações mais precisas no combate ao garimpo ilegal, especialmente em áreas indígenas como a Terra Yanomami.

Desde 2023, a Polícia Federal (PF) intensificou seus esforços para combater o garimpo ilegal no Brasil, adotando métodos científicos que permitem rastrear a origem do ouro apreendido no país. Segundo informações apuradas, todo o ouro confiscado é enviado ao Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, onde passa por análises detalhadas por meio do programa chamado Ouro Alvo.

O Ouro Alvo é uma iniciativa que identifica a "assinatura" geológica e química do ouro — características únicas preservadas desde a hora em que o metal foi extraído do solo. De acordo com a fonte, essa técnica possibilita que os peritos determinem a provável região de origem do ouro, diferenciando material proveniente de extração legal e aquela vinculada a atividades ilícitas. O programa engloba a análise de diferentes formas do metal, como pepitas, amálgamas (mistura de ouro com mercúrio) e o chamado ouro esponja, que resulta do processo de queima do mercúrio.

É importante situar essa ferramenta dentro do contexto recente da atuação governamental. Durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), houve uma expansão significativa do garimpo ilegal no país. Já na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), iniciada em 2023, as operações para conter essa prática se intensificaram, especialmente em áreas críticas como a Terra Indígena Yanomami.

Segundo dados oficiais, mais de 9.000 operações foram realizadas dentro e nos arredores da Terra Yanomami, contribuindo para uma redução de 99% nas áreas impactadas pelo garimpo ilegal. Em números concretos, os novos alertas para áreas de garimpo somaram 14.115 hectares em 2023, o que representa uma queda de 41,11% em comparação a 2022, ano que registrou o maior número de novos alertas na gestão anterior.

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No entanto, as autoridades confirmam que o garimpo ilegal se deslocou para regiões com menor fiscalização, revelando uma mudança de rota na atividade clandestina. Esse deslocamento aponta para a necessidade de aprimorar a vigilância em outras áreas vulneráveis, além de manter os avanços nas regiões tradicionalmente mais fiscalizadas.

Assim, o uso da assinatura geológica do ouro pelo programa Ouro Alvo emerge como uma ferramenta estratégica fundamental para identificar as origens do ouro e combater o comércio irregular, apoiando operações que protegem territórios indígenas e preservam o meio ambiente. A inovação técnica agrega precisão às ações policiais, que até então contavam mais com abordagens convencionais para o enfrentamento do garimpo ilegal.

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O que sabemos?

  • A PF utiliza assinatura geológica e química do ouro para identificar sua origem.
  • Todo ouro apreendido é analisado no Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília.
  • Desde 2023, operações na Terra Indígena Yanomami reduziram em 99% as áreas de garimpo ilegal.
  • Em 2023, as novas áreas de garimpo ilegal detectadas somaram 14.115 hectares, queda de 41,11% em relação a 2022.

Fontes

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