Policial

Assaltos a farmácias por canetas emagrecedoras causam trauma e medo na Zona Norte de São Paulo

Em apuração ?

Vítima fatal e secuelas psicológicas marcam a rotina de funcionários após sequência de roubos em farmácias 24 horas

Farmácia 24 horas alvo de assaltos em São Paulo
Imagem: BBC News Brasil

A morte da farmacêutica Karina Ribeiro e os traumas do atendente Humberto Maciel expõem a escalada de violência contra farmácias motivada pela busca por medicamentos para emagrecer caros, como as canetas emagrecedoras.

O horror vivenciado em farmácias da Zona Norte de São Paulo tem se intensificado nos últimos meses com uma onda crescente de assaltos motivados pela busca por medicamentos para emagrecer. Segundo Humberto Maciel, de 26 anos, atendente da Drogaria São Paulo, "foram 4 assaltos em 10 dias" na unidade onde trabalha, situação que vem gerando pavor e trauma entre os profissionais do setor.

O caso mais grave ocorreu em fevereiro, durante o turno da madrugada em uma farmácia 24 horas, quando Humberto e a farmacêutica Karina Ribeiro, de 38 anos, eram os únicos funcionários presentes. Dois homens invadiram o local anunciando o assalto, focados especialmente nas canetas emagrecedoras, remédios caros e cobiçados por sua promessa de perda rápida de peso. Um dos clientes que estava no local, um policial, tentou reagir, mas o confronto terminou tragicamente com Karina atingida por disparos. "Eu corri e me escondi atrás do balcão. Quando virei, só vi a Karina no chão", relatou Humberto.

As canetas emagrecedoras, como o Mounjaro, são produtos que têm atraído criminosos justamente por seus preços elevados. Uma unidade na dosagem mais baixa pode custar a partir de R$ 1,4 mil nas farmácias, tornando-se alvos lucrativos para roubo. Humberto afirma que, desde que começou a trabalhar na madrugada, há cerca de um ano e meio, já presenciou doze assaltos, o que desencadeou em sua vida crises de ansiedade frequentes e início de depressão.

Depois do episódio fatídico em que Karina foi morta e de ter levado uma coronhada durante o assalto, Humberto precisou se afastar do trabalho por alguns dias, mas a situação só piorou sua saúde mental. Ele agora sofre com sintomas de estresse pós-traumático, condição que traz lembranças vívidas de cenas de violência e medo constante. "Trabalhar em farmácia era uma coisa que eu gostava de fazer, pensei até em fazer um curso de Farmácia. Mas perdi totalmente a vontade e, agora, eu não sei o que eu quero fazer da minha vida", confessou o atendente.

Este cenário revela como a crescente demanda por medicamentos para emagrecer e o alto valor desses produtos têm alimentado uma série de roubos violentos, afetando diretamente a segurança e a saúde mental dos profissionais do ramo farmacêutico. Além do impacto econômico, o trauma emocional e físico sofrido por trabalhadores e clientes são uma consequência grave e até fatal dessa realidade.

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O que sabemos?

  • No intervalo de 10 dias, foram registrados 4 assaltos em farmácias da Zona Norte de São Paulo.
  • A farmacêutica Karina Ribeiro, 38 anos, morreu após ser atingida por tiros durante um assalto.
  • O atendente Humberto Maciel, 26 anos, já presenciou 12 assaltos trabalhando no turno da madrugada em uma farmácia 24 horas.
  • Medicamentos emagrecedores como o Mounjaro custam a partir de R$ 1,4 mil e são alvo dos criminosos devido ao alto valor.

O que ainda não foi confirmado?

  • As informações foram divulgadas apenas pela BBC News Brasil e aguardam confirmação por outras fontes.

Fontes

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