Preocupação com sinais de instabilidade na geleira antes do colapso no Nepal
Análise preliminar aponta indicativos de risco dias antes da inundação que deixou centenas de desaparecidos
Uma pesquisa mostrou alterações na geleira momentos antes do desastre no Nepal, mas ainda não há sistematização de alertas oficiais. A tragédia já deixou pelo menos 1.000 mortos e quase 4.000 desaparecidos.
De acordo com uma análise preliminar de risco divulgada recentemente, sinais de instabilidade na geleira que desabou na fronteira entre Nepal e Tibete foram identificados alguns dias antes do evento catastrófico ocorrido em 2026. Segundo a fonte, o estudo, produzido pelo grupo HiRISK e divulgado em 28 de agosto, revelou alterações na superfície da geleira, como aumento do fluxo de água do degelo, mudança na coloração da água e uma rachadura que avançava na encosta rochosa próxima ao local. Esses sintomas indicariam uma crescente vulnerabilidade da geleira ao colapso, embora a região do Himalaia, conhecida pelo seu relevo de difícil acesso, ainda não disponha de um sistema específico de alerta para riscos relacionados a geleiras.
O desastre, que ocorreu dias depois, resultou na morte de pelo menos 1.000 pessoas e deixou mais de 3.900 desaparecidas, segundo informações ainda não confirmadas oficialmente. A maior parte do impacto concentrou-se em projetos hidrelétricos e outras obras de infraestrutura ao longo do rio Trishuli, na fronteira entre Nepal e China. O governo nepalês revelou que cerca de 933 trabalhadores estavam presos em cerca de seis diferentes projetos devido à enchente, e aproximadamente 300 deles foram retirados de um túnel do complexo Upper Trishuli. Cientistas analisaram imagens por satélite que apontam que a geleira já apresentava movimentações internas e instabilidade nas rochas ao redor antes do colapso, o que reforça a hipótese de um evento precoce de deterioração que passou despercebido das autoridades locais até o momento.
Especialistas destacam que o monitoramento por satélite, aliado ao uso de inteligência artificial, poderia oferecer uma ferramenta eficiente para acompanhar áreas de difícil acesso no Himalaia e identificar sinais de risco com maior antecedência. Ainda assim, a ausência de um sistema de alerta específico na região é apontada como uma das falhas na prevenção de eventos dessa magnitude. O episódio remete a outro ocorrido em 2025, quando o rompimento de um lago formado pelo derretimento de gelo provocou uma inundação na mesma área, causando a morte de pelo menos nove pessoas, conforme divulgou a Revista Galileu, fonte até o momento única nessa informação.
Enquanto aguardam confirmações e novas informações, cientistas e autoridades planejam aprimorar o monitoramento de geleiras no Himalaia para evitar novas tragédias semelhantes. O caso chama atenção para a vulnerabilidade das regiões de alta altitude às mudanças ambientais e a necessidade de sistemas mais efetivos de alerta diante de sinais de instabilidade de gigantes de gelo como as geleiras do Nepal.
O que sabemos?
- Análise preliminar identificou sinais de instabilidade na geleira dias antes do colapso.
- Sinais incluíam alterações na superfície, aumento do fluxo de água do degelo, mudança na coloração da água e rachaduras.
- A região não possuía sistema específico de alerta para riscos de geleiras.
- A enchente resultou na morte de pelo menos 1.000 pessoas e deixou mais de 3.900 desaparecidas.
- Projetos hidrelétricos e infraestrutura ao longo do rio Trishuli foram fortemente afetados.
Fontes
- Revista Galileu fonte especializada




