Espanha acusa Rússia e Israel de espalharem desinformação sobre crise migratória em Ceuta
Primeiro-ministro Pedro Sánchez revela impacto político e econômico do episódio após entrada de 72 mil migrantes no enclave africano
O governo espanhol apontou a Rússia e Israel como responsáveis pela amplificação de informações falsas sobre a crise migratória em Ceuta, que recebeu mais de 72 mil migrantes em poucos dias. Acordo da União Europeia e reforço financeiro buscam conter consequências da situação.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou nesta segunda-feira (31) que a Rússia e Israel espalharam e amplificaram desinformação relacionada à entrada em massa de migrantes no enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, ocorrida no fim de agosto. Segundo Sánchez, essa conclusão se baseia em uma pesquisa do Serviço Europeu de Ação Externa (EEAS), órgão diplomático da União Europeia que monitora desinformação.
De acordo com o premiê, "era evidente" que os dois países usaram a crise migratória para criticar o governo espanhol, atuando desta forma por discordâncias políticas com Madri, relacionadas às posições espanholas nas guerras da Ucrânia e do Oriente Médio.
A entrada de mais de 72 mil migrantes em Ceuta gerou um impacto econômico significativo no enclave, que tem uma economia relativamente pequena. Para reverter os efeitos da crise, o governo espanhol anunciou um investimento extra de 168 milhões de euros, cerca de 195 milhões de dólares, quantia equivalente a aproximadamente 8% do Produto Interno Bruto (PIB) local, afirmou Sánchez em entrevista à rádio Cadena SER.
Além das medidas econômicas, a Espanha solicitou ajuda da Agência Europeia de Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex) para reforçar o controle migratório na região. Segundo o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, um pedido formal foi enviado à diretora-geral de Migração e Assuntos Internos da Comissão Europeia, Beate Gminder, nesta sexta-feira (28), para apoiar operações de registro e identificação dos migrantes que permaneceram ilegalmente no enclave.
Esses esforços ocorrem quase um mês após a entrada massiva dos migrantes vindo do Marrocos — também foco das imagens e reportagens que mostraram milhares tentando a travessia marítima e terrestre para Ceuta. A crise gerou debates sobre a soberania espanhola na região, amplificada pelas tensões diplomáticas com o Marrocos e a repercussão internacional que começou a tomar contornos políticos, com acusações externas de manipulação da narrativa do evento.
O episódio ressalta os desafios que países europeus enfrentam no controle de suas fronteiras e na gestão humanitária dos fluxos migratórios irregulares, além de expor o uso político de crises migratórias por atores internacionais para disputar influência e posicionamento diplomático.
O que sabemos?
- Rússia e Israel espalharam desinformação sobre a crise migratória em Ceuta, segundo Pedro Sánchez e pesquisa do EEAS.
- Mais de 72 mil migrantes entraram em Ceuta no fim de agosto.
- Espanha destinará 168 milhões de euros para reativar a economia de Ceuta, cerca de 8% do PIB local.
- Espanha pediu suporte da Frontex para identificação e registro dos migrantes que estão ilegalmente no enclave.
Fontes
- CNN Brasil imprensa





