Futebol

Estudo revela alta prevalência de encefalopatia traumática em ex-jogadores de futebol americano

Em apuração ?

Pesquisa aponta relação entre golpes na cabeça e doenças cerebrais em atletas aposentados

Imagem ilustrativa de cabeça de jogador de futebol americano em ação
Imagem: Folha de S.Paulo

Um estudo recente realizado no período de 2008 a 2021 analisou cérebros de ex-jogadores de futebol americano, indicando uma forte conexão entre o impacto contínuo de golpes e o aumento de doenças neurológicas graves, como a demência.

Segundo uma análise publicada no The BMJ, uma das principais revistas médicas internacionais, a prevalência de encefalopatia traumática crônica (ETC) entre ex-atletas de futebol americano é altamente significativa. A pesquisa, conduzida por uma equipe de médicos e neuropatologistas, investigou tecido cerebral de doadores falecidos entre 2008 e 2021 e cruzou esses dados com relatos dos familiares e prontuários médicos dos atletas aposentados.

De um total de 1.712 ex-jogadores mortos nesse período, apenas 19,7% tiveram seus cérebros estudados, mas entre esses, 93,2% apresentaram sinais de ETC. Além disso, 59,8% dos cérebros analisados foram diagnosticados com algum tipo de demência. Tais números reforçam a preocupação acerca dos efeitos neurologicamente prejudiciais do impacto frequente na cabeça durante a prática do esporte.

Segundo a fonte, a relação direta entre os golpes na cabeça e o desenvolvimento de doenças cerebrais se torna ainda mais evidente ao se considerar as estimativas de prevalência. Para os mortos entre 2016 e 2021, esses números variariam entre 24,5%, na hipótese de nenhum cérebro não estudado apresentar ETC, até impressionantes 97,7%, se todos tivessem sido afetados pela condição. Esses dados sugerem que o risco de desenvolver doenças neurológicas vem crescendo com o tempo e pode ser irreversível.

Segundo especialistas ouvidos na publicação, o impacto dessas descobertas coloca em xeque a segurança do esporte, especialmente do futebol americano, cuja prática constante de cabeçadas e colisões na cabeça é considerada parte integrante do jogo. Ainda não há confirmação de que o estudo seja definitivo para outras categorias de esportes, mas a evidência sugere que os jogadores, muitas vezes ignorando os riscos, podem estar pagando um preço alto pela paixão pelo esporte.

O estudo ainda não foi confirmado oficialmente por outros órgãos ou organizações esportivas, e o clube ou entidade que representa os jogadores ainda não se pronunciou sobre os resultados. No entanto, a discussão sobre os efeitos do impacto na saúde neurológica dos atletas parece ganhar força, especialmente com o aumento de estudos internacionais que apontam para uma forte relação entre golpes na cabeça e doenças degenerativas cerebrais. Essa preocupação cresce na medida em que se investiga o futuro de atletas aposentados e os riscos que eles correm após anos de atuação na modalidade.

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O que sabemos?

  • Estudo analisou cérebros de ex-jogadores de futebol americano falecidos entre 2008 e 2021.
  • 93,2% dos cérebros estudados apresentaram sinais de encefalopatia traumática crônica (ETC).
  • 59,8% dessas análises diagnosticaram alguma forma de demência.
  • Estimativas indicam que, na faixa de 2016 a 2021, a prevalência de ETC poderia variar entre 24,5% e 97,7% dependendo do universo considerado.
  • Ainda não há confirmação oficial ou posicionamento de entidades esportivas sobre os resultados do estudo.

Fontes

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