Parceria entre EUA e empresário venezuelano movimenta setor petrolífero na Venezuela
Acordo envolve controle de 17 campos petrolíferos e participação direta do governo americano em reservas venezuelanas
O governo de Donald Trump anunciou uma parceria inédita que permitirá aos EUA colaborarem com Alejandro Betancourt López, empresário venezuelano à frente da North American Blue Energy Partners, para explorar reservas de petróleo na Venezuela. O acordo inclui controle sobre campos antes operados por empresas chinesas e russas e representa uma estratégia americana para influenciar o mercado global de petróleo.
O presidente Donald Trump anunciou na sexta-feira (28) um acordo para exploração de petróleo na Venezuela que envolverá uma parceria com o empresário venezuelano Alejandro Betancourt López. Segundo a Folha de S.Paulo, a colaboração será feita através da North American Blue Energy Partners (NABEP), empresa controlada pela família de Betancourt, que atualmente é a segunda maior produtora privada de petróleo no país sul-americano.
O acordo contempla o controle de 17 campos petrolíferos, cujos ativos vinham sendo operados por companhias chinesas e uma russa, conforme informado por dois funcionários americanos à Reuters nesta segunda-feira (31). A NABEP assumirá esses projetos, representando uma mudança significativa na administração das reservas venezuelanas, que somam cerca de 64 bilhões de barris de petróleo, valor anunciado por Donald Trump como parte do plano para remodelar o mercado global.
O governo americano terá uma participação de 35% na NABEP, detendo poder de veto e prioridade na compra de 80% do petróleo produzido além de sua quota. Segundo a Folha de S.Paulo, esse apoio do Executivo se dará por meio do Escritório de Capital Estratégico do Pentágono, órgão que apoiará o desenvolvimento das reservas venezuelanas em conjunto com a empresa de Betancourt. O empresário venezuelano, que lidera a NABEP desde que a empresa foi controlada por ele – sucedendo o magnata americano Harry Sargeant –, compartilhou em comunicado que “a Venezuela é abençoada com abundância de recursos naturais, pessoas trabalhadoras e um potencial inexplorado”.
A presidente venezuelana Delcy Rodríguez também manifestou seu apoio ao projeto em nota divulgada na sexta-feira, ressaltando que o acordo causará um “impacto no renascimento nacional”, prevendo mais de US$ 200 bilhões (equivalente a R$ 1,04 trilhão) em impostos para o país. Essa será a ação mais direta do governo Trump na indústria petrolífera venezuelana desde janeiro, quando os EUA chegaram a enviar Forças Especiais para tentar capturar Nicolás Maduro e começaram a colaborar com Delcy Rodríguez.
De acordo com a análise publicada, o intuito da administração Trump é usar o petróleo venezuelano para diminuir o poder do Oriente Médio no mercado de energia e estabilizar os preços que têm subido desde que os EUA e Israel iniciaram ataques contra o Irã em fevereiro. Não obstante o entusiasmo oficial, alguns detalhes da parceria, incluindo o modelo exato de operação e divisão de receitas, ainda permanecem incertos, conforme apontado pelas fontes.
O anúncio desta segunda-feira (31) revelou que os ativos petrolíferos anteriormente sob controle de governos aliados ao ex-presidente Maduro, principalmente chineses, passarão a ser operados pela NABEP, fortalecendo a presença americana na extração das reservas venezuelanas. Embora o acordo ainda não esteja totalmente confirmado em seus detalhes operacionais, é uma movimentação que pode trazer transformações significativas no cenário geopolítico e econômico da região.
O que sabemos?
- Governo Trump firmou parceria para exploração de petróleo na Venezuela com empresário Alejandro Betancourt López.
- Empresa North American Blue Energy Partners (NABEP), controlada por Betancourt, assumirá controle de 17 campos petrolíferos na Venezuela.
- EUA terão 35% de participação na NABEP, incluindo poder de veto e preferência na compra de 80% da produção.
- Presidente venezuelana Delcy Rodríguez endossou acordo, que prevê arrecadação superior a US$ 200 bilhões em impostos.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa
- G1 imprensa





