Economia

Como as eleições impulsionam a volatilidade do real e da Bolsa no Brasil

Em apuração ?

Início da campanha eleitoral coincidir com saída recorde de investidores estrangeiros e pressão sobre ativos nacionais

Desde o início da campanha eleitoral em 16 de agosto, o mercado brasileiro enfrenta forte instabilidade, com investidores internacionais retirando bilhões do Ibovespa e o fluxo cambial negativo atingindo níveis expressivos, segundo dados oficiais.

A campanha eleitoral brasileira, iniciada em 16 de agosto, já desencadeou uma série de reações no mercado financeiro, sobretudo na Bolsa de Valores e no câmbio. Segundo dados da B3, que administra a Bolsa brasileira, o saldo dos investidores estrangeiros neste mês está negativo em R$ 18,7 bilhões – o pior resultado registrado em 2026 até o momento. Apesar dessa saída abrupta, o saldo acumulado de 2026 até agora ainda é positivo, com R$ 22,3 bilhões.

Paralelamente, o Banco Central divulgou que houve uma saída líquida de US$ 2,55 bilhões de capital estrangeiro entre o início de agosto e a última sexta-feira, dia 21. A situação se agravou na última semana, com um fluxo cambial negativo de US$ 4,055 bilhões somente no intervalo de sete dias. Esses números indicam uma crescente pressão sobre o real, a moeda nacional, que sofre com a retirada de investimentos internacionais.

O cenário é explicado em parte pela incerteza quanto às propostas dos candidatos para a condução da dívida pública. "A indefinição sobre a abordagem dos candidatos para a trajetória da dívida pública tem alimentado as expectativas de juros mais altos e pressionado a Bolsa e o real", destaca a reportagem da Folha de S.Paulo, que compilou esses dados.

Além das eleições, o contexto internacional também representa pressão sobre os ativos brasileiros, com a guerra no Oriente Médio elevando a inflação global, o que contribui para a aversão ao risco dos investidores estrangeiros. De acordo com relatório do JP Morgan, a volatilidade associada ao processo eleitoral foi determinante para o banco reduzir sua recomendação para as ações brasileiras, que passaram de "overweight" (mais recomendadas) para "neutra" no início deste mês.

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Este fluxo de saída de recursos estrangeiros contrasta com o comportamento observado no início de 2026, quando o ingresso de capital vinha sendo mais robusto. Agora, a combinação dos fatores nacionais ligados à política fiscal e externos relacionados a conflitos geopolíticos cria um ambiente instável para investidores.

Essa instabilidade, além de influenciar o preço das ações e do dólar no curto prazo, deve ser monitorada pelos agentes econômicos, dado seu potencial impacto sobre a inflação, o custo do crédito e a confiança do mercado no Brasil durante o período eleitoral que se intensifica nos próximos meses.

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O que sabemos?

  • Campanha eleitoral começou em 16 de agosto e aumentou volatilidade do mercado brasileiro.
  • Saldo de investidores estrangeiros na B3 está negativo em R$ 18,7 bilhões no mês de agosto.
  • Fluxo cambial negativo de US$ 2,55 bilhões até 21 de agosto, com US$ 4,055 bilhões saindo na última semana.
  • JP Morgan reduziu recomendação para ações brasileiras de "overweight" para "neutra" em função da volatilidade eleitoral.

O que ainda não foi confirmado?

  • Informação divulgada apenas por Folha de S.Paulo; aguardando outras fontes.

Fontes

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